Terça-feira, 19 de Julho de 2011

Num dos últimos temas que apresentei neste blog, narrei a “revolução industrial” com o desenvolvimento da força do vapor, iniciado no século XIX, muito marcado com as redes ferroviárias e a industrialização mecânica.
Houve desenvolvimento das regiões por onde passavam as linhas férreas, observando-se também uma intensa imigração das populações do interior para as cidades, onde se localizavam as indústrias em expansão sublime, com necessidade em mão de obra.

Recentemente e ainda há bem poucas décadas surgiu uma “nova revolução”, a sociedade de informação, a introduzir-se profundamente

nos vários sectores da sociedade, até o doméstico, cuja expansão, em crescimento veloz, está ainda difícil de delimitar.

Com a “revolução virtual da sociedade de informação” o homem começou a desleixar-se dos seus talentos e dotes artísticos, da faculdade criadora em obras de arte, do dever em deixar para a memória dos vindouro as características da arte dos tempos contemporâneos, ou seja, pausar a história civilizacional, deixando para o futuro a lacuna da contemporaneidade.

 

Sente-se já a nostalgia de muitos, em valores educacionais e de aprendizagem a ser ultrapassados pelas tecnologias “informáticas”: o caso dos brinquedos artesanais, das bonecas, dos jogos clássicos, os livros. É o poderio “ do mundo virtual” do ecrã a prevalecer ao real…

Com a obsessão da “nova revolução”, o mundo virtual, a insustentável sociedade moderna suportados por

fontes energéticas altamente nocivas à estabilidade ambiental do planeta Terra, o homem, e o seu espírito dominador, estão a esgotar rapidamente os recursos essenciais que equilibram a vida animal e vegetal, sob os alertas suscitados por associações de defesa dos patrimónios e natureza.
É preocupante: leva a crer que a sociedade humana sentindo-se privada e limitada do seu habitat (a pureza do ar e da água, o ecossistema animal e vegetal, a paz e o silêncio), sofreu uma mutação, de que resultou a “sociedade de consumo”

Sociedade esta, cujo ritmo mutante é tão acelerado, que, no tempo presente não é possível delinear os efeitos maléficos da “nova revolução” na estabilidade do planeta, no controle dos territórios, e na memoria.

É terrível esta mutação a atingir todo o planeta e a alegada “sociedade de consumo” desestruturada de valores morais e civilizacionais, a ser perseguida pelo tal mundo virtual e comunicações.

A realidade, o suporte da estabilidade da Humanidade, reside agora em olhar-mos aos ensinamentos do passado, à nossa História, ao nosso património herdado, onde sentimos plena serenidade, e a referencia que tem de ser para todos, pois possui respostas concretas às incógnitas que vão surgindo.

É o secretismo da vida, a religiosidade que sempre acompanhou o ser humano desde que pensa, os valores simbólicos que sustentabilizam a sociedade, que aclamam e aclamarão a importância da história, não só pelas evidências apreendidas, como também por conceitos, preconceitos, normas e procedimentos institucionais:

a religiosidade e os seu rituais com o sagrado e profano a coabitar,
o sentido dos símbolos,
das comemorações,
até mesmo crenças e superstições,
que sempre partilharam com o homem, mesmo com índices elevados de cultura.

A evolução do sentido da vida, não se pode confinar ao simples “materialismo” ou ao dito “virtualismo”, mas sim à organização de ideias e sentimentos, o pensamento e respectiva partilha com a sociedade.

A importância da criação de obras e referencias para os vindouros, a preservação dos registos do passado, os símbolos dos antepassados, foram valores civilizacionais que sempre acompanharam o homem ao longo da sua existência, desde:

 

- a conservação dos templos religiosos das civilizações antigas, ao proporcionarem estabilidade social aos sucessores.
- a glorificação das epopeias históricas, a criar memoria colectiva do passado (bem evidenciado nos poemas de Luiz de Camões)
-o interesse dos grandes pensadores das civilizações do passado, como Sócrates, Platão e Aristóteles, nas biografias dos seus heróis, nas narrativas de fundação das suas cidades.


-também os valores de base da sociedade, “a família”, sempre estiveram presentes, onde este núcleo, em todo o tempo, possuiu lugares de respeito e reflexão, como, locais onde os familiares passados viveram, onde “se cumpriam os ritos familiares”, onde “vivia a sua raça”, onde “susbsistem muitas lembranças dos antepassados”, ou seja, um sentimento sublime a justificar a escolha daqueles sítios

-o sentimento misterioso que nos emociona, quando nos situamos em lugares onde vive a recordação, que gostamos e admiramos.
Entrando no mundo da nossa aldeia da “Lapa”, ou subindo ao “Castelo de Penedono”, não é a grandiosidade das edificações graníticas que nos seduzem, mas a recordação dos grandes homens que por ali exerceram o seu poderio, a sua importância, e onde lutaram pela prosperidades do seu território.

As artes ao longo dos séculos, a sua monumentalidade, as referencias culturais apresentada em obras, têm sido o fio de prumo, de estabilidade e suporte histórico das civilizações.

Se não vejamos:
o arrepio sentido ao subir um castelo, observando

as várias ruínas envolventes e o pensamento nas batalhas aí sucedidas – o momento transmite-nos um respeito ao passado.

Ou então, obras de arte recentes, como uma exposição de quadros a óleo alusivos às antigas estações de caminhos de ferro da linha do Tua, da autoria de Luiz Canotilho, que transmitem uma nostalgia e saudade do passado recente do extinto comboio nessa região.

Quando o mérito prevalece, as artes liberais florescem e os homens esforçam-se por revelar tudo que possa ser útil aos vindouros, divulgando o património colectivo às colectividades, através dos museus, zonas históricas e espaços de cultura.
Mas a decadência duma sociedade esquece a história, as referencias culturais e as artes, muitas vezes são destruídas e pilhadas.
Porquê?

O gosto pelo “dinheiro” e o poder “obsessivo e irracional”
É esta uma decadência presente na sociedade contemporânea, com surtos de roubos e destruições obras de arte.
É a nova revolução do “GOSTO pelo DINHEIRO”.
Que pena: Esta revolução do “GOSTO pelo DINHEIRO” é a antítese da dignidade e valor intelectual; é a antítese da prosperidade das artes e do empenho do homem em descobrir tudo o que possa ser útil aos vindouros

Foi o gosto do dinheiro que provocou esta revolução.
Outrora, quando mérito agradava por si só, as artes liberais floresciam e os homens esforçavam-se por revelar tudo o que pudesse ser útil aos séculos futuros.

- Assim foi o Marques do Pombal que institucionalizou a região demarcada do Douro para a produção do vinho do Porto, a primeira extensão do Pais a assegurar a qualidade dos seus vinhos.
- Assim foi Luís de Camões que se tornou um dos mais fortes símbolos de identidade da Pátria, tendo influenciado gerações de poetas de vários países, tornando-se a referencia para toda a comunidade lusófona internacional.
Mas enquanto viveu e fez a obra para os vindouros, foi vítima de alegadas injustiças , da escassa atenção que a sua obra recebia, e só depois de falecer a sua poesia

começou a ser reconhecida como valiosa e de alto padrão estético por vários nomes importantes da literatura europeia. Centenas de anos depois a sua fama está solidamente estabelecida e é considerado um dos grandes vultos literários da tradição ocidental, tornando-se objecto de uma vasta quantidade de estudos críticos.

O homem contemporâneo, mergulhado no mundo virtual, da ganância e do dinheiro, já começa a perder o dom de criar inovações culturais, a força para estudar as artes existentes, mas, sem qualquer respeito pela antiguidade, já não é capaz de receber lições de imperfeição.

Não nos admiremos que as pinturas possam estar em decadência, pois para muitos homem de hoje o virtualismo e a barra de ouro são mais belos que o mais lindo e artístico quadro.

Mas acima dos valores da “arte do homem” constamos com o luxo excessivo de muitos, a contrastar com a vivência na sua verdadeira dimensão: “a vivência artística”.
Que pena: as obras de arte, quer seja a escultura, a pintura ou edifícios moldados ao estilo contemporâneo, a representação da filosofia da “vida” e do “ser” dos tempos de hoje, estão em decadência.

Executam-se medalhas de prata ou bronze, fazem-se serigrafias em série, moldam-se estátuas descaracterizadas, proliferam as criticas e surgem os mais diversos versos criticos.

Nas grandes cidade e onde há poder de compra, surgem os grandes museus repletos das pinturas antigas, com múmias do Egipto ou peças de arte da antiga Roma, para muitos, dignas de admiração, só pelo seu preço, daí a razão por vezes do sucessor as destruir ou o ladrão as roubar.
O nosso mundo é todo Património natural e a arte desenvolvida pelo homem, que lhe propicia bem estar.

 

É a História e recordação do passado, é a necessidade de transmitir aos vindouros, o património adquirido, mas preservado e com inovações contemporâneas.

É tudo quanto é sublime e transporta o Homem ao mundo misterioso de sentimento e recordação.
São todos os valores que unem o ser Humano e lhe proporciona bem estar e estabilidade, sem prejudicar o passado ou comprometer o futuro

                    Nota:  Pinturas a óleo da autoria de LUIZ CANOTILHO



publicado por valores-do-douro-sul às 20:08 | link do post | comentar

4 comentários:
De antonio gallobar a 13 de Junho de 2012 às 12:04
Olá

Um texto fantástico generoso pela partilha de conhecimentos e lucido digno de um grande homem, que coloca a sua sabedoria ao serviço dos outros.

Não se deve de importar mas gostaria de poder publicar este texto no meu blog Penso logo existo em seu nome, seria uma honra.

Grande abraço


De valores-do-douro-sul a 14 de Junho de 2012 às 17:48
Boa tarde Sr Gabriel

Obrigado pelas suas palavras, que verdadeiramente nos transmitem motivação e força para continuar.
Repare que a qualidade dos seus trabálhos possui nível excelente.
Esteja à vontade na divulgação do meu trabalho no seu blog; eu é que agradeço

Cumprimentos,
António Canotilho


De antonio gallobar a 14 de Junho de 2012 às 18:26
Obrigado Dr Canotilho, será colocado no próximo domingo com os devidos créditos

Grande Abraço
Gallobar



De valores-do-douro-sul a 15 de Junho de 2012 às 18:14
Obrigado, muitos cumprimentos


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