Domingo, 21 de Setembro de 2008

         

 

Nestes periodos de acentuadas modernices, continua a ser vulgarmente aceite que as populações em mutação persistente, devem sentir-se orgulhosos daquilo que é característico, que é símbolo da sua terra, do seu povo e da sua região.
Todavia, as vidas modernas vêm oferecendo, progressivamente, a aprovação dos padrões da vida citadina já com pleno alcance até às aldeias mais características do típico mundo rural.

Fenómeno natural que todavia não nos dispensará de conhecer, valorizar e cultivar algumas características mais notórias e importantes do nosso povo aldeão, já que elas revelam a nossa identidade, solidificada no legado das canções populares, nas danças e nas artes poéticas de que o Povo é, grande sábio.

Algumas destas canções são sem dúvida nativas, de apreciável dedo poético e musical, como se evidencia numa das peças deste post através do "Hino da Vila da Ponte", bastante reveladoras da simplicidade criadora do povo, capaz de produzir, a seu modo, obras perfeitas poéticas e musicais.

 

A originalidade de algumas das cantigas apresentadas são da exclusiva autoria das gentes de Vila da Ponte. Outras, como as cantadas pela D. Clarinda são tidas como pertencentes ao património geral do folclore Português.

O património humano mais antigo de Vila da Ponte tudo isto foi assimilando, variando com diversos vocábulos e variações musicais, como expressão do seu sentimento e da sua sensibilidade conforme é visível no fado cantado pela D. Clarinda Anicecto.  
            
A realidade é que é este povo beirão que, com toda a simplicidade, assume e conserva as suas canções tradicionais, transmitindo-as de geração em geração, até ao momento actual, este já mesmo, quase no limiar do dessaparecimento.

Há poucas dezenas de anos, o povo de Vila da Ponte, era conhecido pelo seu talento em apresentações teatrais, cantava as suas canções  nas segadas, nas mondas, nas vindimas, e nos dias festivos e romarias.   
 
Os intervenientes em todas estas apresentações teatrais e cantigas populares a elas se davam com espírito e coração.

Correspondia às tradições, aos divertimentos, o alívio do excesso de trabalho, a valorização da vida, e o impulso nato de invencível força da arte e animação.  

Há anos atrás ouvíamos cantar, tocar e assobiar, por toda a aldeia, e pelos caminhos circundantes, desde o Zé Augusto com o realejo, O Sr. Armandino e o Sr. Germano com os bombos, os pastores, as crianças na Praça, à mistura com o chiar dos carros de bois, dos cães a ladrar, os burros a roznar, cabras e ovelhas com o seu mémé característico e toda a passarada que, voando o pendurada nas árvores e telhados cantavam e chilreavam.

 

Era a verdadeira vida, o verdadeiro mundo rural mundo a pulular de tudo que era vida, encanto e talento.  

Será importante e urgente, tal como observei na aldeia do Vilar-Mtª Beira, Arcozelo da Torre-Mtª Beira e Barcos-Tabuaço que se criem também por cá associações que, consigam reavivar o afecto e desejo profundo de quantos ainda mantêm acesa a vivência - impossível de contar - de um folclore que é mesmo vida anímica, vida de valores e vida exemplar.

Há que avançar, porque temos uma magnífica quantidade de especificidades culturais a preservar, com infindável legado para nós os contemporâneos e próximas gerações. 



publicado por valores-do-douro-sul às 15:52 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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