Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

Rio Douro acima, poucos quilómetros a montante da Régua surge a barragem de Bagaúste, a proporcionar um agradável espelho de água no vale do Douro, propício a desportos náuticos, oferencendo interessantes reflexos das várias montanhas envolventes.

E é na margem direita, a cerca de 10.000 metros de Bagaúste que vamos encontrar a aldeia de Covelinhas, freguesia da Régua.
E é em Covelinhas que a largura do espelho de água proporcionado pela represa de Bagaúste atinge as maiores proporções, denotando-se do outro lado da margem, a aldeia de Folgosa do concelho de Armamar.

A sinuosa estrada que nos transporta à aldeia, é já o convite para o distinto cenário onde metro a metro, nos deparamos com uma natureza em plenitude e harmonia, conjugando-se muito bem a rusticidade das paisagens e a perfeição de alinhamentos extraordinários.

O Rio Douro, amansado pela barragem mostra-se pacífico, as montanhas e o céu reflectem-se deslumbrantemente sobre o espelho de água e esta, em acalmia serve de agente catalisador a reflexões que conduzem qualquer um à paz e inspiração.

O silêncio fala-nos da labuta do homem, que ao longo dos séculos desbravou esta imensidão de montanhas, transformando-as num condimentado mar de vinhedos muito bem seguros por socalcos de xisto em harmonia perfeita com a paisagem.

O silêncio leva-nos ao tempo em que as águas do Douro eram bravas e impacientes, a correr por entre sinuosas fragas de pedra, na altura em que circulavam os barcos rabelos, transportando pipas de vinho fino até à cidade do Porto. Verdadeira audácia dos homens dos rabelos, tantas vezes com fins tristes, ao não conseguirem vencer a violência das águas, a empurrar as embarcações por entre labirintos de fragas agrestes e cortantes.
O silêncio só é quebrado pelo chilrear das aves ou pela passagem do comboio junto ao rio.

Até chegar a Covelinhas a vegetação, cheia de abismos desafia as leis do equilíbrio, e neste período de Outono, os laranjas, os verdes, os castanhos, a imensidão de vinhas, arbustos e cactos floreados enfeitam a paisagem, a prova da vitalidade da natureza muito bem adornada pelo homem.

Chegamos a Covelinhas, aldeia pacata do Douro norte com uma natureza intensa em vinhas e laranjais, sem poluições sonoras, em simbiose harmoniosa com o rio Douro .
Uma aldeia em declive possuindo a cada esquina verdadeiros miradouros para o Douro e maciços montanhosos envolventes. Um verdadeiro refúgio de paz e beleza, onde o ar que se respira, a pequena enseada ribeirinha a penetrar aldeia adentro e a graciosa estação de caminhos de ferro bem podem caracterizar este espaço como um dos principais encantos paradisíacos do Douro.

O turismo do Douro procurando investir nos territórios mais paisagísticos, naturais e sossegados, ainda não sentiu que, para o homem citadino envolvido no intenso stress, desejando reconfortantes férias, possui em Covelinhas um espaço único que o devolve à natureza pacífica, proporcionando o descanso de tempos primitivos, como quem volta ao ser lar depois dum dia altamente trabalhoso.



publicado por valores-do-douro-sul às 21:42 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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