Domingo, 13 de Novembro de 2011

Nesta sociedade contemporânea que tanto tem evoluído tecnologicamente, onde a comunicação pela multimédia atingiu um apogeu impensável há duas décadas, presumia-mos nós que, o relacionamento civilizacional humano se iria tornar mais coeso, porém involuiu.
São os conterrâneos, cruzando-se pelas suas comunidades a desconhecerem-se, os vizinhos sem diálogo franco, e na sociedade, com as instituições e o comércio, sente-se frieza de relacionamento e atendimento, onde por vezes, muitos abandonam o estabelecimento pela antipatia do empregado.

 

Há bem poucos dias encontrando-me com amigos, de nacionalidade estrangeira num estabelecimento de restauração, um deles, dialogando com a empregada de mesa, gentilmente lhe fez o cumprimento  tratando-a pelo nome.
De imediato sentimos a reciprocidade da empregada de mesa, também de nacionalidade estrangeira. No final, a mesma saudou-nos com um “obrigado e uma boa tarde para os senhores”.
Fiquei reflexivo a meditar sobre o gesto do meu amigo, que teve por parte da empregada um simpático atendimento, a assinalar.

Por rotina, já estamos habituados a ser tratados com falta de dignidade e antipatia por empregados, aos quais lhes é exigido o mínimo de respeito.

E ficamos surpresos, com o mimo dado pela amiga estrangeira, estimulando imediata reciprocidade da funcionária do estabelecimento de restauração.
Contudo, nós também, clientes, tantas vezes entramos nos estabelecimentos sisudos e reivindicativos, colocando como é obvio o empregado em atitude de defesa.

 

Que se passa afinal?
É que a simpatia do meu amigo de outra nacionalidade, oferecida à empregada da restauração, que por acaso era também da mesma nacionalidade, de imediato a impulsionou a um docilidade natural, e agradável eficiência profissional.

Ao sair-mos para o estrangeiro, à simples vizinha Espanha, o comportamento e relacionamento simpático com a sua população, na sociedade ou comércio, sente-se de imediato por nós, portugueses.

Afinal o que se passa, é que, o sentimento determinante do comportamento pouco simpático entre muitos, é fundamentalmente cultural.
Tanto se investe na formações e aprendizagem de bons modos com o público, nas regras de civilidade e cidadania, e depois nos relacionamentos da nossa sociedade, os conhecidos desconhecem-se, os bons homens e mulheres são tratados como estranhos, ou observados como tendo comportamentos incorrectos. E por quem?  Basicamente, por aqueles que nas comunidades sabem ou deveriam saber que, o respeito pelo próximo é um dever de cidadania, não há instituição ou empresa que possa sobreviver sem utentes ou clientes, e mais, não valorizar o empenho de muitos que, com a sua motivação, brio e educação procuram a sobrevivência das suas Vilas.

 

Que se passa nas nossas comunidades quando muitos procuram dar aval à estabilidade e cidadania, e logo surgem aqueles, a ter obrigações exemplares, deturpam,  fissuram e vivem bem na tentativa de desgaste ao próximo? Interesses opostos à cidadania?  
Assim sendo, as comunidades estarão condenadas a bem se entender, e decerto que poderão entrar em crise profunda.


Continuando com este raciocínio e assinalando a cultura noutros países evoluídos em regras civilizacionais, volto ao contexto do meu amigo de nacionalidade estrangeira e da empregada do restaurante, dum país das Américas.
O respeito e simpatia entre cliente/empregada proporcionou bem-estar ímpar e eficiência.
Sabemos que é através do bem estar proporcionado ao semelhante que as comunidades possuem estabilidade e equilíbrio.
A simpatia e a educação são indicadores de nível e maturação colectiva duma sociedade, com consequente bem estar e melhores prestações nos locais de trabalho.

 

Não me vou esquecer daquele dia em que o amigo da nacionalidade das américas  foi simpatiquíssimo para aquela empregada de mesa do restaurante, também do mesmo país, em que o clima propiciado, além de ter facilitado o relacionamento ofereceu um bem estar a todos e com bom nível de atendimento.

Assim sendo, a simpatia e o bom relacionamento, além do bem estar permitido, vai diminuir certamente o conflito e fissuras entre cidadãos. 
Em ambiente hostil, e no comércio, ao estar a razão do lado do cliente, não se irá obter um melhor nível de atendimento com atitudes agressivas, mas certamente o cenário mudará se este usar a postura com regras civilizacionais diante do empregado da empresa.

 

É que a estabilidade, o bem estar do cidadão e duma comunidade, têm a ver com vários factores, sendo que a consequência do trabalho em ambiente brioso, trará um progresso de mais nível, pois é pela ligação dos vários actores da sociedade que a mesma funciona.

 

Este interior beirão com o fenómeno da desertificação, o envelhecimento populacional, a carência de empregos a fixar os mais novos, associado à grande crise económica contemporânea, irão exigir a todos nós, população activa, que revamos todo o património civilizacional e o relacionamento humano, para que consigamos sobreviver dando continuidade a toda a cultura endógena adquirida ao longo dos séculos.
Assim com o fermento civilizacional que nos caracteriza, e depois de ultrapassadas as diferentes crises em curso (que pode demorar décadas), é provável que, perante a insustentabilidade da vida nas grandes cidades, haja ondas de imigração para a província,  e assim, tanto as regiões do interior, como o próprio país irão beneficiar da nova conjectura de colocação e vivência dos Portugueses.



publicado por valores-do-douro-sul às 08:57 | link do post | comentar

1 comentário:
De Antonio Gallobar a 27 de Novembro de 2011 às 15:35
Olá

Uma excelente e oportuna reflexão... um texto que nos faz reflectir.

Quando no estrangeiro sobem várias pessoas num elevador e não dizem nada uns aos outros, o mais certo é serem Portugueses, testado e confirmado. Infelizmente cada vez estamos mais afastados uns dos outros.

Grande abraço, é sempre um prazer passar por aqui, cumprimentos para todos.

António Gallobar


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