Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013

Diariamente estamos a ser avassalados pelo puro materialismo do dinheiro. 
Os valores, as referências e o homem bom, perante esta sociedade tão severa a ter como denominadores principais o "despotismo" e "o materialismo", gerando e impondo a cultura do dinheiro fácil, com o consequente logro e depravação, estão a ser destruidos velozmente com preocupante empobrecimento das consciências da nossa população.

Onde está a nossa verdadeira cultura, pilar básico e de referência à estabilidade e prosperidade?

Os valores culturais correspondem à grandeza da inércia humana, inerente a todos.
São da pertença daqueles que sabem exprimir o sentimento de arte e a alma da comunidade.
Correspondem à criatividade da sociedade dum determinado território, a sua essência, aquilo que ela é, para além da sucessão genética.

Ao longo dos séculos, a cultura sempre se propagou pelas genealogias comunitárias que nos precederam, sobretudo pelas tradições dominantes numa região específica, a identificá-la com exatidão.
Porém, com a velocidade da informação e transportes da actualidade, a cultura endógena, é visualizada e apreciada duma forma rápida em todo o planeta. Assim, o contraste e multiplicidade estão ao alcance de milhares de pessoas dos cinco continente, influenciando-os.
Porém nas comunidades locais, deveremos possuir os nossos filtros, saber escolher e organizar critérios.

Assim, nos dias de hoje, a cultura local mudificou-se um pouco, fomentada na multiplicidade de influências exógenas.
Bem notório nas cidades, onde encontamos grande diversidade de culturas, atendendo à mobilidade dos habitantes, seja emi ou imigrado, seja no País, ou pelos vários continentes.

Porém, há um contexto sentido nos tempos actuais e muito preocupante: a indigência de muitas mentes com desinteresse e indiferença aos diferentes valores que sustentabilizam a sociedade e com posições influentes. 
É a consequência das políticas de muitos dos nossos governantes, a gerar economias com enormes desproporções na distribuição da riqueza, governos a cooperar apenas com os grupos apoiantes.

Política dependente de interesses económicos, e a cultura a extenuar-se em simples diversão com a privatização de agentes culturais.

A cultura é o pilar base da sociedade civilizada, indispensável ao equilíbrio das comunidades.
Perante a decadência deste valor, há que reformular um método de suporte e apoio aos valores tradicionais e populares, aproximando as pessoas comuns da arte, através duma democracia de consciencialização cultural.

Será importante revivificar e apoiar as tradições culturais e religiosas, os grupos de cantares, as bandas filarmónicas, os ranchos folclóricos...
A interligação saudável entre grupos, a tutela cultural dos municípios, com a efectiva participação e gestão de recursos, é importantíssima no presente momento à sobrevivência e sustentabilidade do grandiosíssimo património cultural regional das nossas artes.
Cultura e arte são o retrato da civilização, o equilíbrio e referência duma determinada comunidade, a sua bandeira e imagem.

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No presente post apresento uma das maiores tradições culturais da região de Viseu, que remonta já a 1652, e são as Cavalhadas de Vildemoinhos.

Um cortejo alegórico, que se realiza anualmente em 24-06 a partir da aldeia de Vildemoinhos, em direcção à cidade de Viseu.
O símbolo das raízes e história do povo de Vildemoinhos, repleto de vivacidade e com certa dose de censura divertida. Uma maquinação interessante dos antigos trabalhos e sobrevivência da sua população.

Nas peças que apresento, o desfile de carros das actividades em vias de extinção, a que os Vildemoinhenses  procuram vitalizar.
Todo o cenário do cortejo procura também mostrar ao visitante e ao homem citadino a vida do mundo rural.

O longo desfile inicia-se com indivíduos montados a cavalo, seguindo-se os burros a mover os artesãos. Pelo cortejo, observamos muita animação com bandas filarmónicas, ranchos folclóricos, associações recreativas locais e zés-pereiras.

 

As cavalhadas de Vildemoinhos têem origem em 1652, após a história duma disputa entre moleiros e agricultores, em que tanto uns como os outros necessitavam da água do rio Pavia. Os primeiros para a movimentação das pás dos moinhos e os agricultores para regar as suas propriedades. 

Houve grande seca em 1652, os agricultores edificaram represas, e então a água não chegava aos moinhos. As autoridades foram insensíveis, e então os moleiros determinaram na noite de São João subir à Capela de S. João da Carreira e rezar. Depois da prece os moinhos movimentaram-se, porém os agricultores logo reorganizaram as represas.
Os moleiros lançaram-se ao poder de Lisboa, que lhes foi favorável. Tendo então novamente as águas para os seus moinhos, e em promessa, foram novamente à capela de S. João da Carreira retribuir a bênção do milagre.

Desde então, anualmente acontecem as Cavalhadas de Vildemoinhos no dia de São João.
A festividade com o cortejo percorre a cidade de Viseu, com interessante marcha pelas principais avenidas.



publicado por valores-do-douro-sul às 07:34 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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