Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2013

Depois da apresentação do património arquitetónico da graciosa Vila de Ponte de Lima no anterior post, exponho agora a prosperidade e vitalidade da cultura humana desta região do Alto Minho presente nas sua Feiras Novas, através do seu folclore, desgarradas, toques de concertinas, concertos de bandas, e o Cortejo Etnográfico a elevar os usos, costumes e tradições das freguesias do concelho.

Na Noite das Rusgas, que surge logo após o cortejo etnográfico, vive-se o som das concertinas e cantigas ao desafio, pelos vários cantos da Vila.

 

As Feiras Novas são já uma tradição remota da Vila, volvendo-se já à época de D. Dinis, designadas então as feiras velhas, de periodicidade quinzenal, e mencionadas nos dados bibliográficos como as mais antigas de Portugal.

Desde 1826, tendo como substracto a existência de três dias de feira de comércio e o culto à Santa Padroeira Nossa Senhora das Dores, foram então aprovadas pelo rei D. Pedro IV, com a denominação de Feiras Novas.
Passaram então a ser três dias de festa no terceiro fim de semana de Setembro.


A Vila com os seus trajes mais graciosos, e as maravilhas naturais a arquitectónicos, preito das suas gentes, recebe então os milhares de visitantes, oriundos de todo o Portugal e da vizinha Espanha.

 

Mas as Feiras Novas são mais que romaria: são festa, feira, euforias e arraial.

Tão bem que sabe bem saborear este valor cultural de tradições que se mantiveram ao longo dos tempo, mas evidentemente adaptados aos novos usos e costumes populares.

                                                                        ___________

É junto ao extenso areal e nalgumas das zonas mais ribeirinhas da Vila que se sente o grande centro do comércio.
Corresponde na verdade aos antigos hábitos das comunidades quando determinavam as datas para aí venderem os seus produtos das fainas e colheitas.

E por ter sido o perido do reconhecimento do esforço e valor do trabalho das populações, a feira transformou-se no lugar certo de festa e convívio bem presente.

Cantam, dançam, desgarradas de acordeons, enfim, trocam-se notícias entre conterrâneos, amigos e familiares

Compram-se produtos que o comércio de lojas não tem e surgem pela mão dos vendedores ambulantes, que  transportam também outros costumes, histórias de outros lugares.

Que interessante... tanta gente dos tempos de hoje a depender da feira para comprar o que necessita para viver.

Porém observamos um outro cenário, aqueles que, tendo tudo à mão nos modernos supermercados, se deslocam à feira na busca daquele ambiente mágico, onde perpassa um perfume de alegria, mistura do odor do frango, da carne de porco assado, dos enchidos caseiros, do pão confeccionado em forno a lenha e das doçarias regionais...

Sai-nos então a reflecção:  é importante que as tradições voltem a ser o que eram e seria óptimo para todos, regressarem à feira para se abastecerem e rechearem as casas daquilo que os produtores e artesãos confeccionam.
Estou certo que seríamos mais bem servidos e melhor abastecidos que as grandes superfícies, moda dos dias de hoje, e descaracterizados das realidades regionais.

 

 

Os filmes do presente post mostram a magnificiênca do cortejo etnográfico das Feiras Novas de 2012; a reveação "su generis" dos costumes e tradições de cada freguesia do concelho.

 São as vestimentas e trajes típicos do alto Minho, os gigantones, os bombos e concertinas, o folclore, a encantar todos aqueles que se vieram deliciar com o espetáculo.

Que interessante o desfile; lá iam representados os principais ramos agrícolas e industriais da regão, a vitivultura, o trabalho do linho, a industria da pedra.

Músicas, cantos das camponesas garrridas com as suas vestimentas, cordões de ouro sobre os trajes vistosos, grande alegria visível.

Carros muito originais, com soberbo efeito à passagem, ornamentados com verduras e representações compostas com instrumentos da lavoura. 

 

É na verdade um espetáculo que nos fica na lembrança, e bom seria que o exemplo sensibilizasse todos, pois seria um incentivo para a agricultura nacional.

O cortejo também se tornou em diversão para a população de cada aldeia do concelho, ornamentando os seus carros, preparando as alfaias e incitando as raparigas a se vestirem garridamente com os trajes minhotos.

 

Após o encerramento do cortejo de 2012, a festa continuou no Largo de Camões com exibição nos dois coretos, da Banda de Ponte de Lima e a Banda Marcial Tarouquela

 





publicado por valores-do-douro-sul às 20:48 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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