Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

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Vale bem a pena ser-mos conhecedores da sociedade açoreana.
A insularidade, o grande distanciamento do continente, as características vulcânicas com as sucessivas catástrofes provocadas pelos abalos de terra e a fúria constante do Atlântico, criou nestes uma solidariedade, um associativismo e uma cultura impar com  forte componente e influência cristã, que os distingue da população do continente, pela profunda solidez da sua sociedade, bem coesa e as instituições recreativas, culturais e de solidariedade a funcionarem em pleno.
O povo sendo insular, é muito culto, de fácil relacionamento e empatia imediata. É humilde, conservador  e hospitaleiro.
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De certo que nós cá pelo continente, com tantas influências externas e tantas vezes descontextualizadas da nossa cultura, correndo o risco de perda de muitas das nossas identidades, muito temos a aprender com este povo que persiste com a sua filosofia matriz e é exigente e orgulhoso da manutenção fidedigna da sua identidade.
 

 

 
Os primeiros contactos que tive com a sociedade Açoreana foi há sensivelmente 15 anos na ilha do Faial, mais propriamente na cidade da Horta, aquando dum "Congresso Nacional de Médicos de Clínica Geral" cuja realização se situou na "Sociedade Amor da Pátria", edifício conjecturado para os mais diversos eventos culturais da comunidade, e sede também de diversas actividades de lazer e ocupação de tempos livres de muitos.
Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Dr. Mota Amaral, na altura Presidente do Governo Regional dos Açores, na cerimónia de encerramento do evento médico a que foi convidado. Ficou-me memorizada a sua simpatia, respeito e humildade como figura política. Manifestei um elogio pelo brio e alto nível com que meus colegas, a exercer clínica nos Açores, apresentaram os temas clínicos no congresso. E mais, fiquei impressionado com o nível de organização e trabalho no sistema de saúde público dos Açores.
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A sociedade açoreana com traços e referências dominantes da cultura do continente português, assimilados logo após a sua descoberta e povoação, criou ao longo das centenas de anos de existência, e também como consequência do isolamento e distanciamento causado pelo Atlântico,   uma postura, dialéctica e identidade muito característica, que em termos de funcionalidade de sociedade, evoluiu e se diferenciou muito das novas características e posturas no continente.
A realidade conclusiva em termos sociológicos de bem estar, aponta que o bem estar biopsicosocial de toda a população duma determinada região depende não só da estabilidade do emprego e razoabilidade do seu poder económico,  do sustento em bases sociais, quer seja no ensino, saúde ou segurança social, mas também na afirmação, integração e funcionalidade noutras infra-estruturas essencialmente de execução e traço humano, com características de animação-recreativo-culturais:  ranchos folclóricos, conjuntos típicos, grupos corais e de cantares, grupos desportivos e de ocupação de ocupação de lazeres, sessões de educação sobre temáticas, como a saúde, o ambiente, os valores, etc, etc.
 
É interessante num encontro de grupos internacionais de folclore, a diferenciação bem distinta das características dos vários agrupamentos, cujo contexto global individual, bem caracteriza a região e país de proveniência.
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Conforme caracterizamos na nossa mente a Região Basca de Espanha, a um território de instabilidade política e guerrilhas, também pela apresentação do grupo folclórico Danças à Milots oriundo da assinalada região, sedimentamos na mente a mesma trajectória filosófica com que caracterizamos o perfil socio-político desse espaço penisular.
O aparato das bandeiras, as espadas, o perfil da música e dança, as vestimentas, parecem traçar um certo ambiente de influência e perfil militar.
Não fosse a última parte da apresentação com trajes de inspiração medieval, ficava-me a opinião que o grupo Basco era adjectivado com uma concepção essencialmente militar.
Uma apresentação bastante contrastante com os grupos de Portugal, em que a subjectividade, a mímica facial e o poder contagiante da alma humana prevaleceu nos nossos ranchos.
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Itália, país do grande Império Romano, que colonizou parte da Europa, e que Era Medieval persistiu com vincadas influências culturais, deixando profundas marcas da sua cultura em todas as vertentes, seja na língua, arquitectura, artes, sociedade e governação.
O grupo oriundo da Sardenha – Itália fez uma bela apresentação, um folclore de traços também muito diferentes do nosso, todavia com trajes e danças muito medievais, mas com uma sintonia e agradabilidade interessante.
A perfeição dos trajes a adornar as lindas Damas, lembra e retrata com muita fidelidade o perfil dos rostos pintadas e abrilhantados por Leonardo Da Vinci nos seus exemplares quadros.
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É sempre bem vindo um grupo folclórico representativo duma das regiões mais longínquas de Portugal, e mais, dum País que até há poucas décadas pertencia ao Portugal Ultramarino - TIMOR
A apresentação emana alma e vitalidade do grupo, a música é agradável, se bem com traços bem indígenas e nativos. 

 

 


publicado por valores-do-douro-sul às 21:32 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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