Sábado, 3 de Fevereiro de 2018

Fornelos-xxxx.jpg

Nos tempos contemporâneos vivemos em constantes inovações e troca de culturas a nível mundial, resultando uma constante atualização e descoberta de novos conhecimentos.

Surgem então fusões de diferentes culturas, tendo como resultado uma diferenciação destas, com novas formas de civilidade.
Assim sendo, o ser humano tem de estar constantemente em simbiose com a cultura do seu meio, a atual e verdadeira em harmonia com a tradição das suas raízes.
Embora vivamos na era da globalização, a nossa sociedade do interior de Portugal desenvolve-se muito na conjuntura “modernidade e tradição”.


Grupo de Cantares tradicionais de Fornelos


Tradição, a história do nosso passado, constantemente a interagir com o presente, sempre a repercutir-se nas suas várias dimensões.

Hoje estamos muito sensibilizados em retratar o nosso património, através dos valores materiais, como os monumentos ou paisagens, bastante cultura material a representar a nossa identidade.
São o retrato da cultura e evolução pelos nossos antepassados, transmitidos ao longo de gerações a identificar-nos o que na realidade somos. Tais valores vão sendo conservados, transmitindo-nos a evolução ao longo dos Séculos.


Rancho de Danças e Cantares de S. Cipriano - Resende

Porém o património imaterial, constituído por músicas, danças, lendas, espólio de valores sem suporte, tornaram a sua preservação mais difícil, e que na realidade é também a nossa cultura e identidade, em que o cidadão as reconhece como valor importante da história da comunidade, transmitindo-lhe a sensação de pertença, onde nasceram ou viveram.

Portugal sabe, e tem a noção que possui um abastado e diversificado património cultural imaterial. Existem na atualidade muitas associações e agrupamentos em tentar investigar, salvaguardar e valorização da cultura imaterial.
É que, consequência das influências da globalização e dos países muito industrializados com os seus atuais padrões de modernidade, tem havido nas sociedades tradicionais um afastamento da transmissão da cultura transmissível pela via oral, que era partilhada entre toda a comunidade local e regional, e que criava um habitat relacional e social fértil às sociedades.


Os Rabelos do Douro - Régua

Assim sendo é de extrema importância a conservação da identidade das nossas populações perante a ação da globalização, a qual gera danos severos ao património cultural imaterial.

É que, na sociedade cosmopolita global em constante dominância, a identidade passa a deixar de ser definida e estável. Muitos jovens e por vezes poderes políticos centrais, rejeitam as tradições da cultura popular, consequência das forças económicas e capitalismo internacional.

O nosso País, agora com a vertente ligada ao turismo, precisa mais que nunca de saber preservar o património cultural e identidade local, que felizmente é rico e diversificado.
Há que defendê-lo e creditá-lo.
Sabemos que a sucessão de transmissão dos saberes ao longo do tempo tem sido realizada pela via oral partilhando-a com os conterrâneos, familiares e amigos.
A identidade cultural, como a música e a dança nasceram nas várias comunidades do interior para que assim houvesse um bom ambiente relacional e de socialização. 


Presença do Presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião e da Ministra da Presidência - Drª Maria Manuel Leitão Marques no evento 

Porém também já começamos a sentir um feed-back negativo da globalização, a criar nas sociedades locais uma afirmação do sentimento de identidade, o que é muito bom, estando a sensibilizar a população mais sensível em se organizar espontaneamente em corais, grupos de cantares, ranchos folclóricos, enfim, investigando, trabalhando e divulgando a todos a verdadeira cultura imaterial de Portugal, como observamos neste post, em que o Grupo de Cantares de Fornelos, cheio de seiva e iniciativas, tem realizado um trabalho invulgar no Concelho de Santa Marta de Penaguião, conseguindo contagiar os poderes políticos locais e centrais, através da presença do seu Presidente da Autarquia e da Ministra da Presidência Drª Maria Manuel Leitão Marques, conforme podemos observar nos filmes.

Continuando este tema sobre o património imaterial, e para terminar refiro-me aos mais jovens, muito influenciáveis pela globalização, em que muitos perderam o encanto pela verdadeira música portuguesa.
Para estes gostarem dela, terão de conhecer a sua verdadeira realidade, infelizmente desconhecida não só por eles, como por grande parte da população.
É que... ninguém ama o que não conhece.
A edificação de valores culturais com poucas referencias numa determinada comunidade é uma força a valorizar, não só por estes agrupamentos divulgadores, com enraíza-los no contexto escolar muito precocemente.


Animação com todos os Grupos no final da Festa - o auge da alegria

É claro que não existem padrões específicos para cultivar e sensibilizar o amor ao património imaterial. Mas, todos os pequenos passos como os atrás referidos contribuem para uma nova perspetiva dos conceitos de referência.
A verdade é que há necessidade enraizar e afirmar a identidade cultural local, que antigamente era bastante expressiva e localmente valorizada equilibrando o ambiente social das populações.



publicado por valores-do-douro-sul às 12:53 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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