Quinta-feira, 11.08.11

Continuo com as reflexões de férias, agora que tenho três semanas para passear, divagar, sonhar, projectar...
visto que a vida tem muitos encantos e diferentes cenários ao longo do seu percurso.

O que importa é saber viver a imensidão de momentos que nos surgem a cada momento.

Os dias passam, as horas por vezes voam, e ainda bem, dado que os bons momentos do dia, só sabem bem quando são temporários. Tudo o que tem encanto não pode ser cativado, porque isolar o encanto é destruir esta virtude.

As lindas paisagens e naturezas do Pinhão que apresento neste capítulo, maravilham-nos; o microclima existente é propício a uma diversificada flora de cariz mediterrânico.
As plantas encontradas a par do adiantamento da maturação dos frutos, contrastando com zonas geográficas vizinhas, seduz-nos a visitas frequentes a este espaço privilegiado, deixando-nos fascinados.

Porém quem lá vive e coabita no dia a dia com a imensidão das “paisagens paradisíacas” envolventes, não se apercebe do encanto e admira-se de tanta visita turística, que mais parece uma peregrinação a um Templo Religioso.

Aquelas lindas plantações de flores espalhadas por toda a marginal do Douro, coabitando com as elevadas temperaturas de Verão ou os frios de Inverno, apresentam sinais de robustez e saúde. Se trouxermos algum exemplar para nossa casa, propiciando as melhores condições de temperatura humidade e nutrição, a planta pode tornar-se mais pálida com perca da vitalidade, porquê?

 

É que o encanto dos seres vivos, a própria flora indígena, existe quando coabitam e proliferam no seu habitat natural.

O encanto para nós (vizinhos de Pinhão e turistas), do património paisagístico local, e daí a exclamação dos seus habitantes, vem do facto de não nos pertencer, e sobretudo de ser diferente das nossas terras.

O encanto alivia-nos da rotina do dia a dia. Estando na nossa posse e no nosso visual diário pode perder o interesse.

Amar o nosso mudo é o que referi: ficar ao lado mas sem estar sempre no mesmo local; é viver.

Ficou-me na mente uma palavra duma funcionária da minha Instituição, aquando dos reconfortantes convívios do lanche:
Sr. Doutor, “a vida é isto”

É verdade, o bem estar da vida, é sentir-mos o encanto do dia a dia, e que o vamos descobrindo, não a retendo e sem lamentações de tempos passados (palavras recentes duma amiga – Mi).
É verdade, viver é ser-mos desinteressados pelo materialismo, o desempenho de desprendimento. É o bem estar propiciado em deixar que o tempo leve o que lhe pertence, ficando só o importante para continuar a viver.

Tudo na vida tem o seu encanto, mesmo o próprio recordar é viver. O passado, é a nossa grande escola. Insucessos e desilusões, fazem parte da nossa maturação.

O que é importante é saber afastarmo-nos dos obstáculos de passagem.

A vida deve seguir duma forma natural, pois, além de não haver tristeza permanente, também não existe alegria constante.


Estes sentimentos coexistem nas nossas vidas, e temos de possuir estrutura para os controlar; assim sendo conseguimos tolerá-los, e possuímos consequentemente capacidade em sobreviver.

Afinal existem maravilhas no nosso dia a dia, mas apenas são momentos e mais momentos ao longo do percurso do dia, mas constantes.

Aquelas plantas que vi no Pinhão, vou lá de quando em quando fotografá-las e apreciar o seu ciclo, mas, não caio na tentação de trazer alguma para casa. Além de a afastar do seu habitat, fragilizando-a, também o porquê do grande encanto nela, é porque sei que a sua sobrevivência é incompatível no meu meio, logo não poderei ter posse dela.


A paisagem mediterrânica do Pinhão: só tem encanto porque não a possuo, não vivo lá.

Tem razão uma outra funcionária da minha Instituição que ainda ontem me fez esta afirmação: Sr. Dr. fotografe mais Sernancelhe (eu respondi-lhe: Sernancelhe é Douro Sul, e gosto da região no todo)

E é esta a reflexão final:
O encanto da vida está nos vários momentos que se vão sucedendo ao longo do dia, e é quanto basta, para que, ao desejar ver as plantas e paisagens do Pinhão, é só uma questão de determinar momentos dum dia à escolha e lá voltar.



publicado por valores-do-douro-sul às 21:05 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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