Sexta-feira, 30.12.11

Douro, é Douro de alma, magia e encanto, simplesmente porque ao longo dos séculos o seu vale ribeirinho, criou sinergismo e interacção perfeita com o ser humano.

 

O homem Douriense isolado no interior, soube aproveitar as adversidades dos maciços montanhosos que contornam o Douro, criando imensidões de propriedades rurais, adornadas por muros edificados em xisto, para conter a erosão, devido os abruptos declives do vale.  

Assim, ao ser criada esta infra-estrutura de contenção das terras, construiu-se na realidade, uma multiplicidade de monumentos a embelezar indescritivelmente o vale: os socalcos e escadarias em xisto.

Assim, com brio, sacrifício e orgulho, foram criadas as infra-estruturas base para a sustentável exploração agrícola, fixação do homem ao longo dos séculos, a criar uma cultura característica de grande vitalidade.
Concerteza que, para todo este investimento multi-secular, contribuiu determinantemente o microclima, de características mediterrânicas.

Assim a cultura da oliveira, da amendoeira e dos laranjais, tornou-se uma das principais fontes de trabalho e rendimento da região. A plantação da vinha encontrou neste habital xistoso e mediterrânico, o meio ideal para a produção dum néctar invulgar, o "vinho do Douro", fruto da produção endógena, que chamou a atenção dos apreciadores mais exigentes, inclusive os ingleses. Então, perante o sucesso alcançado, e com vista à criação dum território definido e de rentabilidade económica, em 1756, Marquês do Pombal, primeiro Miinstro do rei D. José I, criou a "Região Demarcada do Douro", reconhecida em todo o mundo, um território que vai de Barqueiros a Barca de Alva, e também conhecido como "País Vinhateiro".

 

As adversidades do habitat, consequência da interioridade, dificuldades de comunicação com meios citadinos e culturais, e o espinhoso trabalho rural, foram criando no homem do "País Vinhateiro" uma cultura típica e diferenciada, em constante mutação de acordo com o progresso, como mecanismo de suporte à sobrevivência neste meio montanhoso.


As inclemências do meio físico apuraram no homem do Douro o sentido de devoção profunda a "Deus", criando uma instrução religiosa com Ermidas, Templos e regras, culminando com faustosas festividades muito crentes, voltadas para "Nosso Senhor", fomentando então uma ímpar concórdia e harmonia entre populações, ou seja, um verdadeiro instinto pela sobrevivência em comunidade.

 

Depois do Primeiro Ministro do Reino de D. José I ter criado a "Região Demarcada do Douro", a produção de vinho do Douro atingiu níveis industriais com óptima aceitação nos meios citadinos e em especial na Pátria nossa aliada, a Inglaterra.
Não havendo vias rodoviárias competentes para escoamento do vinho no séc. XVIII e XIX por entre as tortuosidades das montanhas até à cidade exportatória, o Porto, o acidentado e irregular leito do rio Douro, foi a única solução viável através de embarcações próprias, os Barcos Rabelos, arquitecturados para este terreno.

Em finais do século XIX surgiu a revolução do vapor, sendo então construida a linha de caminhos de ferro do Douro, empolada e destemida obra de arte a seguir as margens do Douro a partir de Pala e até Barca de Alva, atravessando afluentes com pontes de Eiffel e mergulhando montanhas a dentro através de  mais duma vintena de túneis.
E foi esta linha que passou a escoar o vinho do Douro até ao Porto e Vila Nova de Gaia, quebrando ao mesmo tempo a interioridade, ligando todo do Douro até à última localidade fronteiriça com Espanha, Barca de Alva.

 

Assim a linha do Douro é património arquitectónico de valor inestimável para toda a espinha do rio Douro, e a ela se deve o grande desenvolvimento de toda a região após o século XIX.

A desertificação do interior, as alternativas rodoviárias à linha do Douro, estão a colocar em risco a sua sobrevivência, todavia o futuro sustentável  desta potencial região considerada pela Unesco "Património da Humanidade" passa por uma forte implementação do turismo.
E para um turismo sustentável, a fixar pessoas nas suas localidades, a criar riqueza Regional e da Nação, há que valorizar um dos grandes potencias a dinamizar, e à mão de semear da região: a revitalização do comboio do DOURO até Barca de Alva.

Os turistas querem sossego,  optam por percursos em que se possam deliciar a observar paisagens ou cenários com ambiente tranquilo e relaxante. Já existem os roteiros mais nostálgicos e pacatos com duração de dias e em regime de cruzeiro: os barcos. O comboio não substitui esta alternativa, complementa-a, e está dirigido a um outro alvo de turistas, provavelmente a maioria.

 

Os costumes e tradições, a religiosidade da população local, pode ser apreciada por todos, havendo apenas que subir às montanha pelos vales aferentes ao Douro. Vamos então encontrar graciosas aldeias, complementadas em imponentes casas brasonadas, algumas transformadas em turismo rural, e recheadas de populações população acolhedoras.
Algumas aldeias do Douro Norte e Douro Sul foram alindadas por projectos comunitários, sendo então apelidadas de aldeias vinhateiras do Douro.

E é nestas aldeias que existe um dinamismo fervoroso na preservação da cultura, tradições e religiosidade da população Douriense.
Nalgumas vamos encontrar grupos de cantares e folclóricos regionais muito agradáveis, a retratar com fidelidade, a alma da população, a força que lhes transmitiu vitalidade e dedicação em sobreviver nestes espaços tão custosos de trabalhar.
E é neste filme que apresento duas das grande almas do Douro: a  linha férrea do Douro  na mais perfeita simbiose com todo o espaço envolvente, e o grupo de Cantares de Barcos, Tabuaço, representativo duma das mais lindas aldeias vinhateiras do Douro: Barcos.

Um grupo agradável e simpático, com cantigas alusivas ao Douro, sendo de destacar a representatividade das diferentes faixas etárias da aldeia.

 



publicado por valores-do-douro-sul às 19:00 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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