Terça-feira, 29.08.17

capela1-barcos.jpg

Durante todo o ano Barcos anseia pela chegada do mês de Agosto.

Sente-se.

Ao longo de todo este tempo há como que o acumular de uma energia potencial que é desejada e que renova o ânimo das gentes desta antiga Vila.

Barcos, que afinal pertence ao Douro, o Douro património da humanidade, do reconhecido vinho do Porto, Barcos com o seu rico património medieval e as imponentes habitações da época moderna entra em animada festa!

 

Antecipam-se dias de férias, condiciona-se o tráfego ao centro do agradável conjunto urbanístico em redor da Igreja Matriz, montam-se vigas para o palco em frente à antiga sede da colegiada.

Ao redor do Santuário de Santa Maria do Sabroso monta-se um gigantesco palco com poderosos altifalantes para acolher o conjunto musical e a imensidão de jovens que virão disfrutar os bailaricos nos dias festivos.

A comissão de festas monta a sua barraquinhas para dar assistência de comes e bebes na festa.

No largo da Igreja Matriz já na aldeia, classificada de monumento nacional montam-se as hastes das bandeiras (Nacional, do Concelho, e de Barcos) que irão ser içadas na manhã de 15 de Agosto pelo Sr. Presidente da Câmara de Tabuaço, Srª Vereadora da cultura e Sr. Presidente da Junta de Freguesia da aldeia, assinalando então o início das festas.

As ruas, recheadas de diversas edificações medievais, grandiosas habitações e todo o casario mais humilde muito colorido e alindado, interligado-se com a calçada muito bem concebida, vivem e comungam da azáfama e grande burburinho de preparativos para os grandes festejos.

Faz sentido todo este aparato: é consagrada homenagem a Nossa Senhora do Sabroso, santa Padroeira de Barcos juntamente com a festa de Santa Bárbara no lugar do Sabroso e onde se revive em simultâneo muito intensamente as tradições e costumes da aldeia, especialmente no dia de Santa Bárbara a nomeação da Priora da festa

Os dias 15, 16 e 17 de Agosto neste ano, são os de maior fulgor e significado destas festividades.

E chega-nos a sexta-feira dia 15. A manhã acordada pela banda de música que passa pelas principais ruas da aldeia com os sons do tambor, do saxofone, flautas e os demais instrumentos caminhando a uma vertiginosa velocidade que ajusta os batimentos do nosso coração fazendo ressoar em crescendo, por todo o corpo, como acontece naqueles espaços onde o vazio ocupa um lugar largo.


E começam a aglutinar-se pessoas, com os seus melhores trajes, senhoras elegantes cujos saltos desafiam os espaços da calçada, famílias inteiras, simpatizantes, amigos, turistas...

Vai-se dar o início da cerimónia do içar das bandeiras ao som do Hino Nacional tocado pela Banda Filarmónica.

Depois a procissão de 3 Km em direcção à Nossa Senhora do Sabroso, pela estrada, tendo como panorama à distância o vale do Douro e os lençóis de vinhas cobrindo montes inteiros e tão bem tratadas que mais parecem jardins tratados.

O povo de Barcos caminha lentamente, de abraços com o coração da sua cultura, com o símbolo na comunidade visível, esta mesma que mantém a tradição e a celebra numa matiz onde o sagrado e o profano se cruzam, onde as gentes da terra caminham em procissão atrás da corte celeste qual paráfrase da vida.  
E assim se cumpriu a procissão da manhã. Seguiu-se missa campal.

Às dezasseis horas as pessoas obedecem ao clamar dos foguetes e arma-se então a procissão a caminho da aldeia e Igreja Matriz.

A procissão chega à aldeia.

Assomam-se nalgumas varandas, bonitas colchas algumas bordadas talvez por mãos antigas. Numa janela, uma velhinha lança pétalas de rosa aos figurinos da procissão. Aglomera-se gente à beira da estrada e em lugares à sombra, cadeirinhas desdobráveis dos prevenidos a quem o tempo pesa mais nas pernas.

Ao passar a procissão, misturam-se o cheiro das flores frescas dum andor com o do perfume fino das belas meninas que fazem parte da comitiva e cerimonial; as belas músicas da banda que se ouvem pelo desfile; o murmurar das rezas de alguns peregrinos e o rebentar esporádico dos foguetes.

Caminham lado a lado representantes de diferentes opiniões, seguram os andores rapazes e lindas raparigas. O polícia também lá vai, a controlar o trânsito; está lá a senhora vereadora da cultura de Tabuaço, o antigo calceteiro da Câmara o responsável máximo da DOUROMEL e o do Banco da Vila; o turista curioso, o cigano a vender pipocas e algodão de açúcar. Todos. Tantos.

A comunidade que se une e reúne e que caminha palpitante bombeada pelas ruas como o sangue que circula pelas veias a partir do coração através de um trajecto que de novo a ele retoma.


Também nós, amigos e simpatizantes, partimos do coração desta comunidade, seguimos também as passadas destas imagens bíblicas da procissão que representam virtudes e valiosos ensinamentos, com a Igreja, símbolo de um povo reunido pela fé.  



publicado por valores-do-douro-sul às 15:52 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Segunda-feira, 10.12.12

O grupo de cantares de Barcos, na sua festa vinhateira em Setembro de 2012.

Barcos, uma das mais lindas aldeias Dourienses, possui vasto património histórico com uma interessante igreja românica.

Foi Vila até século XIX e deste legado histórico é visível a Casa da Câmara, o Pelourinho e a Roda dos Expostos. 

Aldeia preservada e alindada pelo programa das Aldeias vinhateiras do Douro.

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publicado por valores-do-douro-sul às 12:54 | link do post | comentar

Domingo, 25.10.09

A festa de final de vindimas na aldeia vinhateira do Douro, Barcos - Tabuaço, neste 24 e 25 de Outubro revestiu-se curiosamente dum ambiente medieval rural com uma animosidade interessante, e ao ohar de todos, sentiu-se bem o vigor duma autêntica feira deste género após uma reconstituição bem conseguida.

 

Este ambiente recriado simulou bem a vitalidade destas feiras periódicas, onde recorriam regatões, camponeses das redondezas, almocreves, artistas e comediantes de rua.

Retratou-se o sentido das referidas feiras: comprar e vender, conviver, acertos de contas e contratos, troca de ideias, e divulgação de notícias doutras povoações.

Estas feiras, com estes cenários, foram importantíssimas para o comercio regional e interno

 

A tradição destas feiras e Festividades

 

É certo que, em muitos casos, a tradição já não é o que era, mas talvez por isso, sabe bem saborear algumas das tradições que ao longo dos tempos se mantiveram, adaptando-se aos novos usos e costumes populares.

 

E em Barcos assim aconteceu com esta encenação.

Perdeu-se na noite dos tempos o hábito da comunidade aprazar uma data e aí venderem os produtos da sua colheita e da sua faina.

Feita a ceifa, vende-se o trigo.

Colhidas as uvas, prova-se o mosto.

Secam-se os figos para que durem durante todo o Inverno.

Os que vivem da terra, trocam o que plantaram pelo sal dos que labutam no mar.

Foi assim que nasceram as feiras.
Por ser o tempo de reconhecer o valor do esforço, as feiras  foram, como já referi em cima, um lugar de festa e convívio.

 

Trocam-se notícias, de amigos e familiares ausentes.
E compram-se produtos que as vendas locais não têm e surgem pela mão dos vendedores ambulantes, que  transportam também outros costumes, histórias de outros lugares.

 

E se há populações que ainda hoje dependem da feira para comprar o que precisam para viver, verifica-se também o movimento contrário:
daqueles que, tendo tudo à mão no "shopping" sofisticado, se deslocam à feira em busca daquele ambiente mágico, por onde perpassa um perfume de alegria, de mistura com o odor do frango ou carne de porco assado, dos enchidos caseiros, do pão confeccionado em forno a lenha, ou das doçarias regionais que tanto seduzem as papilas gustativas.

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A festa vinhateira de Barcos 2009 from antoniocanotilho on Vimeo.

 

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A Festa - Feira das vindimas de Barcos - Tabuaço, ofereceu os produtos típicos locais e alguns da misticidade do norte de África, pelas mãos dos Marroquinos, desde a gastronomia local, ao diversificado artesanato regional, como a arte de moldagem em estanho das garrafas do vinho generoso local da aldeia ou a tecelagem de roupas de vestuário dum concelho vizinho.



publicado por valores-do-douro-sul às 20:35 | link do post | comentar

Domingo, 12.04.09

 

Dediquei a manhã de Sexta-feira Santa à apresentação e encenação na aldeia de Barcos, Tabuaço da Via-Sacra, uma organização da população local, tendo como cenário a zona histórica e os Passos da Via-sacra e Calvário de Barcos.

A recriação dos últimos momentos da vida de Jesus foi feita por cerca de 20 figurantes, da freguesia de Barcos, num cartaz autenticamente original que preencheu as ruas do antigo concelho.

A Via Sacra em Barcos - 2009

Todos os participantes eram amadores, sendo que no conjunto marcaram logo de início talento e intuição na representação da peça; eram filhos da aldeia de Barcos, desde jovens a idosos, a apresentarem em conjunto a Via-Sacra.
Sem dúvida que é mais um evento ganho pela aldeia, pois é uma imagem que passa para o exterior, valoriza a verdadeira vitalidade de todos, e é um exemplo a seguir para os de fora.
Foi fundamentalmente pelo Pároco da aldeia a leitura dos textos nos quais se descreveram as 14 estações da Via-Sacra e onde constaram apelos aos sentimentos cristãos.
 
O percurso da Via-Sacra, retratou sem dúvida uma história religiosa tendo como palco a zona histórica e os Passos da Via-sacra e Calvário de Barcos.
 A apresentação tem uma real importância, pois assinala duas ou três vertentes: a patrimonial e religiosa, e possivelmente a turística.
 Os diversos figurinos que encarnaram as personagens protagonizaram a Via-Sacra com fé e orgulho; foi bem perceptível nos seus comentários no termino do trabalho.
 
O cortejo começou Igreja Matriz, de onde Jesus saiu.
Depois de preso, foi levado à presença de Pilatos, o governador romano, e condenado à morte, naquela que é a primeira estação da Via-Sacra.
Até à 14ª estação, quando Cristo é sepultado a emoção toma conta de algumas pessoas, sobretudo quando Maria, mãe de Jesus, se cruza com o filho ou no momento da crucifixação.
A encenação da Via-Sacra termina com o enterro, até à Capela do Calvário, e uma cerimónia litúrgica presidida pelo pároco da aldeia.
 


publicado por valores-do-douro-sul às 19:58 | link do post | comentar

Domingo, 02.11.08


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António José Leitão Canotilho

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