Terça-feira, 26.06.12

Termino neste post a metragem do percurso da ciclovia do Dão, entre Treixedo e Santa Comba Dão.

 

Nos vários textos apresentados com as metragens, o termo "NOSTALGIA", foi provavelmente o mais mencionado, nos percursos que realizei pedestremente e de bicicleta para a produção deste trabalho.

A interacção que se sente entre as grandiosas obras de engenharia da época, túneis e pontes metálicas, o contraste das imagens fotográficas das estações ainda há poucas décadas, embelezadas com o vapor estacionado, e as mesmas hoje recuperadas em exactidão, criam o ambiente mágico a despertar ao ciclista a percepção da vivência num mundo diferente.

 

O passeio a ser percorrido tranquilamente, oferece benefícios incalculáveis à saude do indivíduo e, se for conhecedor da história heroica do percurso com a mente imaginativa a adotar o papel de personagem do terreno de há décadas atràs, então sentir-se-há contextualizado num dos "figurinos" que no séc. XIX e XX se empenhavam em prol da linha férrea, seja ou maquinista do comboio, o chefe duma estação, ou um simples passageiro.

E na verdade ao longo de vários percursos pelo trajecto, por vezes temos a percepção de sons e odores a remeter-nos instintamente ao passado: ao chegar a Torredeita, o ruido dum cata-vento muito semelhante ao estrépido da locomotiva, ou então no interior do túnel de Santa Catarina o odor que ainda se respira a carvão queimado. A própria flora e fauna envolvente muito selvagem remete-nos a tempos passados.


Enfim, depois dos 48 km a apreciar e contemplar a ciclovia, partindo de Viseu, eis que este substracto mágico ferroviário termina na estação de caminhos de ferro de Santa Comba Dão, onde nos deparamos então com a realidade da linha do comboio da Beira Alta repleta de vitalidade.

Surge nova reflexão na mente: os carris que, para leste nos transportam para o infinito da Europa, e para oeste nos remetem a Coimbra, à rede nacional de caminhos de ferro.
E este adjectivo de pensamento, ao transportar o homem a uma série de esperanças infinitas, remete-o a um outro espetáculo da vida: a pretenção aos seus desejos em concórdia à época pretendida.
E então, após uma semana stressante, tendo terminado o percurso de bicicleta em Santa Comba Dão, cruzando com uma composição de comboios na estação pensamos: não me importaria de continuar o passeio, agora no interior do comboio, horas e horas sem fim apreciando novas paisagens a grande velocidade, ou então um passeio de ida e volta à minha cidade estudantil de Coimbra...

 

Linha férrea do Dão, vanguarda tecnológica do século XIX e XX, revivê-la com a mutação recente para ciclovia, com toda a nostalgia do seu passado epopeico, remete o homem culto para décadas passadas, mas que na realidade é o pulo da vanguarda. 
O saber e a realidade dos séculos citados, são os verdadeiros agentes catalizadores dos progressistas do século XXI. É o retorno aos valores culturais que simbolizam e dignificam as comunidades, para que o homem possa ainda inverter a trajectoria civilizacional descendente de que tem vindo a ser vítima com o moderno mundo da globalização e das velocidades alucinantes.

O exemplo destas linhas do passado, tão acarinhadas e orgulho simbólico e sentimental do homem da época, é já uma atracção e referência para o homem moderno na audácia cada vez maior em se apoderar dos seus valores simbólicos e epopeicos, para que assim os possa repor e sentir com a mesma ousadia dos seus avós e bisavós.

É o aproveitamento aos modelos do passado, para que assim nos sintamos integrados na cultura e valores do mundo em que vivemos, e consequentemente sentirmo-nos como parte integral duma civilização a facultar orgulho e bem estar.

Uma inversão à velocidade desenfreada dos dias de hoje com o exemplo comprovado do passado a asseverar a nossa existência e realidade da vida.



publicado por valores-do-douro-sul às 20:22 | link do post | comentar

Terça-feira, 12.06.12

O encanto a comboios e linhas férreas deslumbra-nos a nós adultos, e também aos mais pequenos.

Viajar de comboio é um prazer e entusiasmo, admirando em simultâneo cenários das paisagens envolventes, os vales e planícies, serranias e bosques ou então localidades mais ermas.
São sensações que nos transportam a um bem estar aprazível e aconchegante.

E este sentimento, em forma mais nostálgica, é muito vivido naqueles que procuram viajar em comboios antigos e históricos, símbolos da grande revolução do vapor (ver neste blog: turismo no comboio a vapor do Douro em circulação durante o Verão).

Linhas férreas desactivadas, como esta do Dão de trajectos curtos, teriam sempre viabilidade nos tempos actuais, com a vertente turística a prevalecer, emblemadas de desejos e romantismo. Corresponde à satisfação do homem romântico nesta era tão tecnológica pela vertente nostalgica das ferrovias edificadas no séc. XIX.

 

É de lamentar, que em linhas como esta, do Dão, de incalculável valor histórico e de referência, fazer-se prevalecer a modernidade irreflectida, omitindo-se o passado, sempre em trajectória dianteira, em ritmo compulsivo para se impor e dominar.
Porém hoje, muitos homens, com dimensão cultural cívica, de sensibilidade e respeito à história, como a vizinha Espanha, conseguiram modernizar e rentabilizar turisticamente vias estreitas como esta, cumprindo assim a preservação de valores e epopeias do passado.

Que interessante seria nos tempos de hoje percorrer esta via férrea de Viseu a Santa Comba Dão, contornada por bosques, montanhas, florestas e pequenas aldeias...

Para o homem moderno de hoje tenso, com excesso de trabalho intelectual, conspurcado de poluição, decerto que se sentiria liberto à imaginação, estabelecendo sinónimos de prazer e relaxação, figurados pelos cenários das paisagens, longe da civilização e da cidade.

 

E se a viagem fosse em locomotiva a vapor, a saciar a imaginação do homem romântico?
Concerteza que o transportaria ao século XX, proporcionando-lhe uma outra emoção de bem estar: a fuga para tempos passados, época em que não sofria o jugo do presente, uma fuga momentânea à civilização tão stressada...

 

 

                                                                                            ---------------//---------------

---------------//---------------
--------------//----------------
----------------//------------------
 


publicado por valores-do-douro-sul às 19:48 | link do post | comentar

Segunda-feira, 04.06.12

Linha do Dão, ferrovia que se perdeu, património edificado em finais do século XIX desmoronado pela insuperável rigidez do progresso, sem olhar ao simbolismo heroico do passado recente e à justa e devida adaptação e modernização do traçado com vertente de transporte e turismo associados.

 

Tempos impiedosos e modernos de hoje, em que tudo se faz a ritmo acelerado, sem ponderação ou reflexões, a prevalecer o interesse economicista às marcas epopeicas do passado, fundamentais ao progresso dos dias de hoje; e o ser humano tornou-se mais estável? Ganhou riqueza, velocidade, excesso de informação, mas... os estilos de vida moderna e a mente não conseguiram acompanhar este progresso, e assim o ser humano de hoje, avassalado por este "rápido TGV" vai descoordenando e passa a tornar-se refém com constantes doenças psicossomáticas a interferirem severamente com a sua qualidade de vida.

 

Porém, perante o cenário resultante da crueldade do homem a todo este património, ainda há forças e homens determinados, que tudo fazem para vitalizar e aproveitar tudo o que resta destas vias, não só pela motivação saudosista, mas sobretudo para edificar por todos estes espaços em rotas de caminadas e lazer, circuitos para ciclistas, lugar para que muitos possam investir em habitos saudáveis de vida de de bem estar.

Assim, a memória ferroviária da Linha do Dão ficará preservada com a transformação de toda a sua rota em ciclovia, com maifesta e cuidada manutenção das suas obras de arte, as pontes, túneis e estações.

 

 -------------//-----------

---------------//--------------
-----------//----------
-----------//------------
----------//---------





publicado por valores-do-douro-sul às 20:47 | link do post | comentar

Domingo, 03.06.12

As linhas férreas desactivadas são sempre um tema nostálgico para os afáveis dos comboios, e muito para aqueles que coabitaram e utilizaram estas vias, quando se encontravam funcionais.

O comboio a vapor, marca da primeira revolução industrial, penetrou para as cidades mais ermas de Portugal, permitindo o movimento de gentes e drenagem de mercadorias, aproximando-as assim do litoral e das principais cidades.

Mas também foi pelo comboio que, muitas da populações do interior, procurando melhor vida, imigraram mais facilmente para o litoral através deste meio de transporte.

Assim, os trajectos das extintas linhas férreas estão também ligados a regiões do País que perderam populações, fruto da grande emi e imigração verificada nas últimas décadas.

A extinção destas linhas férreas tem muito a ver com este contexto, a perca de população do interior, a desertificação do Portugal mais profundo, e consequentemente a falta de funcionalidade e rentabilidade daquelas.

 

E a nostalgia das extintas linhas férreas para muitos, está associada no seu sub-consciente à decadência do saudoso interior e profundo Portugal, memória das suas juventudes e raizes familiares, recordações de vivências do passado.

O Portugal puro, onde polula a religiosidade e as tradições, o Portugal amado, agora em risco de extinção.

 

------///-----
 


publicado por valores-do-douro-sul às 20:27 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

Cria o teu cartão de visita
artigos recentes

Grande metragem - a ciclo...

Grande metragem - a ciclo...

Grande metragem - a ciclo...

Grande metragem - a ciclo...

Grande metragem - a ciclo...

Grande metragem - a ciclo...

A ciclovia do Dão

tags

11 de setembro(1)

a crise de valores(1)

a estação de caminhos de ferro do vesúvi(1)

a luta(1)

a sé e a srª dos remédios(1)

a vida(1)

accordeonista(1)

alexandre fandino(1)

alma feminina(1)

almas do douro(1)

amigos(1)

amizade(1)

andar a pé(1)

antónio canotilho(23)

arcozelo da torre(2)

armamar(1)

arnas(1)

associação cultural rio távora(1)

associação de acordeonistas do távora e (1)

banda filarmónica de nagoselo do douro(2)

banda filarmónica de pinhel(1)

barco douro(1)

barco moliceiro(1)

barcos(6)

barcos tabuaço(3)

barragem de bagaúste(1)

barragem do vilar(1)

barragens do douro(1)

bombos barcos(1)

caça fotográfica(1)

caminhar(1)

cantigas populares(2)

caretos de bragança(1)

carnaval de bragança(2)

carnaval de lazarim(2)

carrazeda de anciães(1)

castelo(1)

castelo de ourém(1)

cavalhadas de vildemoinhos(1)

ciclovia do dão(7)

cidadania; civismo(1)

coimbra e o mondego(1)

coisas simples da vida(1)

comboio a vapor(3)

comboio a vapor do douro(4)

comboio do douro(1)

comboio histórico do douro(1)

comboio régua a lamego(1)

comboio vapor(1)

coração do porto(1)

covelinhas(1)

covelinhas e pinhão(1)

crueldade(1)

cultura no douro sul; turismo no douro s(1)

custoias(1)

desporto através da fotografia(1)

dignidade(1)

douro(3)

douro no inverno; um passeio de valença (1)

douro vinhateiro(2)

eléctrico do porto(1)

encontro de família(1)

ermida(1)

escola eb(1)

escola eb são joão da pesqueira(1)

estações ribeirinhas do douro entre most(1)

estrelas de pinhel(1)

fado popular(1)

faia(1)

farminhão(2)

feira aquilineana da lapa(2)

feiras novas(2)

ferradosa(2)

festa vinhateira de barcos(2)

festas(3)

folclore(4)

granjal(2)

grupo coral de barcos(4)

grupo de cantares de constantim(2)

grupo de cantares de fornelos(2)

grupo de cantares de vila real(2)

hino(3)

lamego(2)

linha do douro(2)

moimenta da beira(5)

nossa senhora da agonia(2)

nossa senhora do sabroso(2)

orquestra ligeira câmara tarouca(2)

penedono(2)

pinhão(3)

ponte de lima(3)

procissão do mar(2)

rede(2)

ribeira do porto(2)

riodades(3)

são joão da pesqueira(6)

sernancelhe(7)

tabuaço(4)

via sacra de ourém(2)

vila da ponte(2)

todas as tags

arquivos
participar

participe neste blog

Janeiro 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


mais sobre mim
links
blogs SAPO
comentários recentes
Ola eu sou a isabelle gonçalo e sou da bals...
Muitos Parabéns Dr. António Canotilho!!!De facto o...
Parabéns, Dr. Canotilho e mais uma vez obrigado pe...
Em nome do Grupo de Cantares de Fornelos, quero de...
Obrigado, muitos cumprimentos
Obrigado Dr Canotilho, será colocado no próximo do...
Boa tarde Sr Gabriel Obrigado pelas suas palavras,...
OláUm texto fantástico generoso pela partilha de c...
Parabéns pela página!Está estrondosamente linda e ...
Sondes tonos
E muito bonito
Olá Uma excelente e oportuna reflexão... um texto ...
O granjal e terra mais bonita nas tradisoes
Son una buena banda a mi parecer los escuche una v...
Sem palavras!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Maravilhoso todo...
Obrigado.Vou avaliar e apreciar o seu blogCumprime...
Muito interessante este seu blog.:)
olá Sr. Doutor... como sempre está de parabéns!!!!...
O TEATRAÇO - Teatro Amador de Tabuaço - agradece a...
Um registo que apazigua as saudades de alguns do l...