Segunda-feira, 25.07.11

Chegou o dia 23 de Julho, e até Outubro, o Douro vive a nostalgia de décadas do século passado.

É da Régua ao Tua que circula o comboio a vapor.

São infindáveis paisagens de vinhedos muito bem acomodados pelos característicos socalcos, circunscritos por elevações montanhosas, tendo com plano de fundo o inquieto rio Douro, acalmado pelas sucessivas barragens construídas e que o tornaram navegável às embarcações turísticas.

Paisagens repletas de histórias de tempos diferentes ao ritmo do vapor.

O silêncio do vale do Douro, só quebrado pelo silvo do vento e o ruído das embarcações que por lá passam, vê-se interrompido por profundos e contínuos sibilos, mais parecendo assobios, a relembrar sinais de algumas décadas passadas.

 

É o passado a ser revivido com precisão neste novo mundo, no mesmo palco profundo, o vale do Douro.

Quem percorre a margem esquerda do Douro, entre a Régua e o Pinhão, pode acompanhar do outro lado em automóvel, o serpentear da fumaraça negra da locomotiva, subindo velozmente para a atmosfera.

Adiantando-nos à chegada do comboio ao Pinhão sentimos nos passageiros e curiosos que estão na estação, uma impaciência na chegada.

É que dentro de minutos, vai dar entrada uma enorme e potente máquina, bafejando enormes quantidades de fumo e vapor, a rebocar várias carruagens em madeira, exemplares vivos do início do século XX.

É de reconhecer a  imponênte "Maquina a Vapor" como heroica no esforço epopeico em transformar o Douro indomável e selvagem, no vale com infraestruturas de civilidade e exploração rural.

É na estação do Pinhão que este monumento vivo, afrouxa, soltando o último suspiro de energia.

Em minutos o cais de embarque é invadido por uma nuvem escura, expelida pela chaminé do comboio, uma mistura da combustão do carvão e vapor de água.

Alguns passageiros saiem para apreciar a estação ornamentada com azulejos pintados com relevos alusivos às vindimas. Figurantes vestidos a épocas festivas do século XIX, tocam cantares regionais na plataforma da estação.

 

A máquina depois de reabastecida com umas centenas de litros de água, apita.

Os passageiros votam para as carruagens, e logo depois a composição segue em direcção ao Tua.

A  força do vapor inicialmente frouxa, torna-se em poucos segundos mais audaz e potente.

E foram estas máquinas, à força da lenha e do carvão que encurtaram em tempos os cerca de 100 Km do Porto à Régua.

Em barco rabelo o percurso durava de 4 a 8 dias e com a era do vapor o tempo passou a ser de pouco mais de duas horas, com um consequente comércio a prosperar.

 

 



publicado por valores-do-douro-sul às 19:00 | link do post | comentar

Terça-feira, 09.06.09




O Alto Douro Vinhateiro e o Comboio a Vapor
Recordo com imensa saudade nos meus tempos de infância, quando vivi em Águeda, o velho comboio a vapor da linha do Vouga, efectuando o longo percurso acidental nas margens do Rio Vouga entre Aveiro e Viseu. Um comboio negro identificado ao longe pelo imenso fumo que deitava pela chaminé, apitando ao ritmo de pouca terra, pouca terra.

Uma poderosa máquina a funcionar a carvão e água, cujo formato exterior caracterizava a sua enorme caldeia em formato de tambor de forma cilíndrica. No seu interior uma série de válvulas e tubos faziam circular o vapor de água quente que era posteriormente canalizado por um sistema de êmbolos e pistões para uma biela ligada às rodas.

E era a grande pressão do vapor de água que com muita força movimentava a biela e consequentemente colocava o comboio em movimento.
Para as acelerações e desacelarações o maquinista possuia uma série de válvulas que, controlando a pressão do vapor de água assim aumentava ou diminuia a velocidade.
Para o mantimento da pressão elevada do vapor de água quente o fogueiro alimentava a fornalha constantemente manualmente com pás e mais pás de carvão. E assim saía uma quantidade imensa de fumo e vapor de água pela chaminé da locomotiva a caracterizar o "comboio da vapor".

 

Mas o meu trabalho de hoje não é referente à saudosa linha do Vouga visto que foi desmantelada há pouco mais duma dezena de anos por incúria de muitos, pois que, além da função social que ocupava, o seu trajecto revestia-se duma beleza paisagística invejável, com o seu maior troço ao longo do Rio Vouga. 

O meu trabalho de hoje em que incluo a locomotiva a vapor A 187 a percorrer o Douro Vinhateiro, é um pouco diferente locomotiva VV 22 do vouga, pois esta última era bem menos poderosa e de bitola pequena.



Esta Locomotiva fabricada em Berlin no ano de 1923 atinge uma velocidade média de 35 Km/ hora; recuperada para fins turísticos, consome uma tonelada e meia de carvão por cada 2 horas de funcionamento; são puxadas carruagens de 1907 e 1993, oferecendo a quem visualiza o seu percurso pela linha um real cenário do início do século XX

Este trabalho que apresento corresponde ao trajecto do comboio entre a Régua e o Pinhão. Em velocidade acelerada no meu automóvel procurei constantemente ultrapassar o comboio pela margem esquerda do Douro, cuja rodovia segue paralelamente à via férrea na outra margem filmando os melhores cenários do trajecto da locomotiva após sucessivas paragens estratégicas.
Sábado, dia 06 de Junho de 2009, cheguei à Regua às 14.30.
Já na Ponte antiga de Lamego-Régua observava ao longe na gare do Peso da Régua um imenso fumo que subia na vertical e se dissipava logo por toda a área envolvente da estação de caminhos de ferro. Sem dúvida que correspondia ao fumo do carvão e vapor de água que brotava da grande fornalha da locomotiva A 187.

Entrei na Estação; tinha acabado de chegar um comboio a diesel proveniente do Poçinho; numa outra plataforma a atracção era outra; várias dezenas de pessoas, com máquinas fotográficas e câmaras de filmar concentravam-se à volta da Locomotiva a vapor A 187 emanando para todo o ambiente envolvente uma poluição de fumo, que quando a ventania se desviava para o nosso lado, quase que nos abafava.

Os turistas e viajantes depois de apreciarem as velhas carruagens muito bem conservadas, e observarem o grupo de músicos locais a tocar música regional ao longa da plataforma, iam entrando à medida que a hora da partida se aproximava.
O Chefe da estação fez soar o apito; à hora precisa a locomotiva secular sai para a aventura da viagem até ao Poçinho, voltando por volta das 18. 30.

Saio da estação e já no meu automóvel atravesso a ponte. Na outra margem avisto o comboio a chegar à Barragem da Régua, que se encontra também numa azáfama grande: a abertura e fecho constante das suas comportas naquele dia a permitir aos barcos turísticos que vençam o desnível das águas.
Mas paro mais à frente junto a um pequeno túnel para filmar toda a beleza envolvente e o comboio a penetrar por terra a dentro.
Acelero até uns quilómetros mais à frente, ultrapasso o comboio que vagarosamente faz o seu percurso, e sedio-me na bonita aldeia de Folgosa do Douro apontando a minha câmara Sony EX, para a outra margem do rio onde fica localizada a aldeia de Covelinhas e por onde o trem passa logo de seguida.
Ao longo da margem, o comboio serpenteia o rio, e de quando em quando emana grandes quantidades de fumo, vai apitando com aquele som agudo que ecoa ao longo do grande vale do rio e chega ao Pinhão.
Consegui antecipar-me e chegar à plataforma da linda Estação do Pinhão minutos antes da composição chegar.
Eis que a imponente máquina dominado todo o cenário envolvente se aproxima e pàra na estação.
Mesmo ao lado dum volumoso tanque metálico de água e por baixo duma gigante torneira de ferro a máquina abastece-se de uma boas centenas de litros de água. Os três maquinistas que dominam a máquina saiem e depressa se apressam a lubrificar a peças e pistões do exterior da máquina; um trabalho importante para manter a máquina em estabilidade.
Os turistas e viajantes saiem um pouco para admirar a beleza da estação do Pinhão recheada de azulejos alusivos ao Douro e Vindimas.
A viagem continua até ao Tua.
Este passeio turístico aos Sábados durante os meses de Verão com toda a animosidade de grupos folclóricos locais a rvitalizar o circuito é mesmo para aproveitar enquanto tiver-mos o privilégio de usufrir o "Comboio histórico a vapor" O Alto Douro Vinhateiro corresponde à zona mais expressiva, mais bem tratada e conservada da região Demarcada do Douro. Alto Douro Vinhateiro está associado a vinho de qualidade excepcional e de elevada rentabilidade económica.   

 

A profunda e intensa beleza que observamos em todo este território é sem dúvida o resultado duma interacção entre o homem e a natureza ao longo dos últimos séculos.
Uma paisagem que o homem lentamente foi moldando, e tal por que o solo e temperaturas locais possuiam as condições propícias para a produção de vinho de alta qualidade, com grandes capacidades de exportação. Então foram criadas e aperfeiçoadas técnicas de aproveitamento de todo o espaço de cultivo através da construção de patamares, socalcos e muros xistosos.
Toda esta adaptação dos terrenos que o homem realizou, criou e moldou uma tal paisagem fascinante e invulgar que foi reconhecido mundialmente, passando a ser considerado pela Unesco Património Mundial da Humanidade.
É assim o cenário envolvente do Douro vinhateiro com a fenomenal paisagem natural e modificada pelo homem com imensas vinhas ao longo das íngremes encostas dos vales do Douro são prova da grande dedicação, brio e trabalho do homem, desde que cultiva a vinha.
Montanhas xistosas escassas em água, mas de clima mediterrânico onde o homem optimizou todos os recursos ambienciais. Vê-se além da dominância dos vinhedos, a cultura da oliveira e amendoeira. Também a proliferação de laranjeiras, nespereiras e cerejeiras é visível.
Todas estas características consequentes às condições climatéricas, ao factor humano e condições históricas, identificam a grande identidade cultural das populações Dourienses essencialmente centralizada na cultura da vinha altamente enraízada na história local.
A cultura e tratamento da vinha exige constantemente o intercâmbio de populações vizinhas. É por tal que culturalmente toda a região é heterogénea, constituida pelo seu povo e as correntes migratórias sobretudo de beirões, transmontanos e portistas para o trabalho.




publicado por valores-do-douro-sul às 21:32 | link do post | comentar

Segunda-feira, 08.12.08

 

A Região Demarcada do Douro, Património da Humanidade, transmite-nos uma sedução e magia ímpar. Todo o cenário, desde as altas montanhas xistosas crescendo ao longo do tortuoso rio, a vegetação envolvente de vinhas muito bem tratadas nos socalcos a abeirarem-se sobre o Douro, criaram o habitat mais encantador para o percurso da linha-férrea mais atractiva do País.

 

Douro, com uma beleza ímpar do seu leito em simbiose com todas as montanhas envolventes e toda a transformação realizada pelo homem nos últimos séculos, desde as vinhas, às encantadoras aldeias ribeirinhas, mesmo as modernas barragens construídas nos século XX que aquietaram as turbulentas e acorrentadas águas do curso do rio.

A viagem pela berma do rio em Comboio, é a forma mais encantadora e romântica de apreciar toda a multiplicidade de cenários que surgem espontaneamente a cada quilómetro de linha percorrido.

Se optarmos pelo comboio a vapor, então o mesmo ambiente propiciado, transporta-nos ao mundo de nostalgias e encantos do século XX.

Como é interessante reviver-mos o tempo do funcionamento das nossas linhas-férreas com as máquinas a vapor. Que sedução e nostalgia ao apreciar-mos os maquinistas a abastecer a enorme máquina com água e carvão.

Como é penoso o seu trabalho de estabilização e manutenção de toda a mecânica manual da máquina. O constante enchimento da fornalha com carvão através duma pá, as temperaturas elevadas do habitáculo da máquina, o enchimento com água dos depósitos das caldeiras e a lubrificação constante das peças e pistões pelas diversas estações onde pára – verdadeira azáfama para o trem circular com estabilidade .

Quem observa e acompanha pela estrada a locomotiva a rebocar cinco carruagens também seculares e que segue em paralelo à linha do Douro, mas na sua outra margem, e entre a Régua e o Pinhão, sente o realçar da magia e vitalidade de todo este ambiente romântico a fervilhar de brilho, imponência e beleza.

Apreendemos concerta que o comboio a vapor ocupou um marco histórico no desenvolvimento da região do Douro e escoamento o vinho do Porto e comunicação entre as várias localidades afectas ao Douro.

Sem dúvida que todo este envolvimento da linha do Douro, com o seu trajecto ribeirinho, interrompido frequentemente por túneis ou então atravessando cursos de água por pontes seculares, pertencem a um formidável património que levou imensos anos a construir e que deve ser preservado para bem da Humanidade.

Linha do Douro: Porto a Barca de Alva.

Verdadeira coluna vertebral que liga o território do Douro ao centro do Porto, estatuto de grande importância pelo papel determinante desempenhado como principal via de comunicação e transporte de mercadorias até final dos anos 30. Todavia, depois da construção de rodovias a linha ferroviária sofreu um decréscimo na sua importância, e por ditadura contabilística, o troço de linha entre o Pocinho e Barca de Alva foi encerrado, deixando uma série de apeadeiros estações, algumas de grande valor, ao abandono.

Esta bonita linha ferroviária, no momento da concepção, Sec.XIX foi concebida para ligar o Porto a Salamanca e assim foi uma realidade até 1985. Com o encerramento entre Poçinho e Barca de Alva, foram amputados 26 Km.

Existe a possibilidade de reabertura do troço novamente até Barca de Alva para fins turísticos; o troço ainda está fácil de recuperar, e é sem dúvida uma importante acção para a promoção e exploração de todo o trajecto do Douro Português, e preservação do passado recente, que tanto custou a construir e na altura deu alma e vitalidade a zonas do País tão distantes da civilização…



publicado por valores-do-douro-sul às 21:17 | link do post | comentar

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