Segunda-feira, 28.08.17

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Situada não já no fundo da estreita bacia, mas numa pequena encosta entre o Prado e o Távora, que ali tem grande extensão de água, da albufeira que a Barragem do Vilar ali entacou, a partir de 1965, desafia em graciosidade paisagística a colina do Senhor da Aflição, que se posta a sul.

A velha Faia jaz sob as águas, por obra e graça da Barragem do Vilar, perspectivada por um poder económico condicionante de um poder político instalado, que, sem olhar a meios, sacrificou uma povoação, sem que os benefícios viessem a compensar, quanto mais a ultrapassar, o ónus dos custos.
Resta uma velha casa sobranceira ao lençol de água que ali se espraia e espelha, propriedade da freguesia, e a Igreja Paroquial. Mas esta foi transportada pedra a pedra para o novo local e agora circunscreve em torno de si todo um novo povoado, gaiatamente implantado e devidamente zonado e ordenado.

As casas, embora ocupadas a título gratuito pelos Faienses, eram propriedade da EDP – Electricidade de Portugal-, que as recebeu das empresas que a antecederam e que só recentemente as transmitiu à Câmara Municipal, que, por sua vez, as transferiu para propriedade dos residentes.
São de traça bastante igual, em que se destaca o granito regional e documentam obra do terceiro quartel do século XX, inspirada nos parâmetros arquitectónicos do Estado Novo. Agora, com o advento da modernidade, sobretudo por via da emigração, vão-se edificando outras de novas feições, incluindo neste grupo a sede da Junta de Freguesia, no meio do povo e o complexo de diversão, à entrada, para quem vem da estrada nacional nº226.

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Faia antiga, a aldeia submergida

Explorar e gozar as serenas águas da Barragem do Vilar, mas pensar um pouco no pequeno mundo condenado que ficou submerso sob as suas águas. Foi a Faia antiga, a terra condenada

Terrenos de cultivo, vinhas, pomares, açudes. Foram quilómetros de boas propriedades que desapareceram para sempre, afogados por milhões de litros de água. Não foi magia, mas sim engenharia, o fenómeno que nos tempos actuais, se tornou no grande lago artificial de Sernancelhe, e agora merecedoramente transformado num atractivo e paradisíaco mar de água, bem sintonizado com as envolventes montanhas arborizadas e a Nova Faia totalmente reconstruída.
Na estrada municipal da Faia à Barragem, consegue-se ter uma percepção real do que é a grandeza e beleza da albufeira.
Em frente ao Vilar e na mesma estrada, observamos do lado de Fonte Arcada um pequeno ribeiro a rasgar o vale de Fonte Arcada ao meio. Trata-se do ribeiro de Fonte Arcada, um pequeníssimo afluente que ia encontrar o Távora mesmo ao lado da antiga e grandiosa ponte românica que estabelecia a ligação “Fonte Arcada – Vilar” que também não sobreviveu ao lago da albufeira. 
Ao  parar o carro mesmo antes do caminho ainda visível para a antiga ponte submersa há que ficar a admirar aquilo tudo, para então sentir o silêncio das águas que submergiram toda a vida que os nossos antecessores e ainda contemporâneos ali construíram.

 

 Faia Antiga

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Agora é conhecida como a Faia Antiga, mas para os locais continua a ser a Faia cheia de recordações e alma. Em frente à nova praia fluvial, no novo espaço de lazer e café de apoio, o velho Francisco Caiado e Manuel Sobral aproveitam os últimos raios de sol sentados nos bancos da esplanada. Só muitos e muitos anos depois é que parecem estar mentalizados em aceitar o destino de ter deixado a alma da aldeia escondida nas pacatas águas.
Ainda que a Faia Antiga não fosse uma aldeia com algo de fenomenal que a distinguisse de muitas outras com certas características, como é o caso de Monsanto ou mesmo a Lapa, acabou por exercer em todos um certo fascínio. Talvez porque foi um pequeno mundo vivo que desapareceu…
Seguindo pela berma das águas em areal até Vila da Ponte, deixamos ficar a aldeia submergida para tràs, para finalmente chegarmos a Freixinho e depois à Pérola do Távora. Então, encontrarmos as primeiras vítimas da barragem. A velha ponte do Pontigo arruinada, a grande represa a jusante de Vila da Ponte e as ruínas dum moinho de água do Távora, mesmo ao lado do afluente da ribeira do Medreiro.  

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A nova Faia 

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As aldeias têm alma e tradição. A nova aldeia da Faia surgiu espontaneamente a partir do nada com casinhas de granito todas semelhantes, apenas a Igreja foi transladada, nascendo então uma nova povoação de raiz. Com a particularidade de na nova Faia serem as pessoas a levar a história e não as paredes a revelarem as marcas do passado.
A nova Faia, agora 45 anos depois tem já abastadas e bonitas casas modernas. A planta da nova aldeia é muito ordenada. 
Numas ruas encontramos as casinhas de granito construídas em inícios de 1960 para abrigar a população desalojada; noutras ruas já casas de estilo moderno e bem integradas no meio. 
As ruas estão luxuosamente pavimentadas, o ambiente é já o mesmo de antigamente, e continuamente nos últimos anos há pormenores e inovidades que vão surgindo, desde a construção dum coreto, ao rompimento duma avenida marginal ou então à edificação de atraentes espaços de lazer e praia, que transformaram este novo local, num espaço de passatempo e descanso exemplar, digno de visita.

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publicado por valores-do-douro-sul às 16:12 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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