Segunda-feira, 19.01.09

 

Preservação dos valores Beirões
 
A nossa sociedade beirã com uma riqueza cultural ímpar, adquirida ao longo de centenas e centenas de anos, mesmo com uma influência árabe aquando da ocupação da Península Ibérica em 711 possui ainda nas suas localidades muito desse património, que ainda as identifica, e é essência e alma da sua existência e caracterização.
 
Refiro por exemplo a dialéctica das povoações e concelhos próximos à minha aldeia de Vila da Ponte, concelho de Sernancelhe: tão próximas e tão distintas características formas de diálogo e conversação; o exemplo de Alvite com a pronúncia típica a entoar o L, ou então Fonte Arcada a cantarolar os dissílabos.
A vestimenta tão contrastante: escura e muito simples, como em Santo Estêvão, ou então colorida e recheada como em Faia.
É claro que na influência de tais características, é mandatória a posição geográfica: ou aldeias serranas e isoladas ou então povoados ribeirinhos mais abertos e comunicativos.
Até os nomes de família assumem uma postura importante que caracteriza o meio: os Coutinhos no Arcozelo, os Lauros no Granjal, os Oliva Teles na Vila da Rua, etc.
 
Enfim, cada aldeia, região ou grupo populacional possui características tão peculiares, que, à simples observação dum determinado indivíduo, não será complexo caracterizar o seu meio e cultura.
É esta a diversidade heterogenia de valores culturais e costumes que identificam e caracterizam a postura de cada aldeia da nossa Beira.
 
É tão interessante nos nossos períodos de lazer o envolvimento com toda esta diversidade de comunidades envolventes. Aquisição de mais conhecimentos e estilos saudáveis de vida, mas também a transmissão dos nossos valores. No conjunto cada um de nós é parte integrante da sociedade beirã, que merece ser preservada e valorizada, pois sempre foi, e é essência e parte integrante duma grande alma que é Portugal.
 
A fraca rentabilidade económica rural, a necessidade de produzir dinheiro para sobrevivência nos dias de hoje, ou seja, a falta de industrialização do interior beirão, motor de fixação e ganhos económicos, fez com que nas últimas décadas tenha havido uma dizimação imensa da densidade populacional deste nosso interior através do fenómeno da emigração. A quebra da natalidades com famílias mono parentais tornou-se também noutra causa importante da quebra de população no interior.
 
Assim sendo, persistindo ainda o fermento dinamizador dos valores e cultura beirã, há que recolhê-lo, cultivá-lo e dinamizá-lo, para assim dar continuidade à caracterização e identidade do povo beirão e criar orgulho, bem estar e patriotismo na caracterização beirã.
 
 Há que aguardar, com perspectiva futurista pois que, a diminuição da qualidade de vida nas cidades com poluição, instabilidade da segurança, fome, e ultimamente o desemprego, certamente nas próximas décadas o fluxo de emigração e repovoamento das aldeias poderá voltar, estando assim assegurado o habitat, para netos ou tetranetos dos emigrados.
 
Em muitas das nossas comunidades beirãs, existe já um número considerável de pessoas e grupos que se dedicam ao levantamento e dinamização dos valores culturais das suas regiões.
Pessoas, que dum modo geral são cultas e sãs, curiosas e inteligentes sem intuitos políticos ou económicos, mas com uma característica comum: brio e gosto pela sua comunidade, interesse na animação sócio-cultural, pilar e essência do bem estar, vitalidade e dinamização das pequenas comunidades.
 
Concretamente, na apresentação deste post vou incidir na comunidade do Arcozelo da Torre, pequena freguesia do concelho de Moimenta da Beira, onde personagens como o Sr. Veríssimo ou a Prof. Luísa, conseguem não só criar associações culturais e museus etnográficos, como também envolver e motivar toda uma população no dinamismo duma elegante actividade cultural, o Rancho folclórico do Arcozelo da Torre e mais, apresentação de eventos culturais, como “O Festival Internacional de Folclore”, que apresento em sumário no filme que se segue:
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Rancho Folclórico do Arcozelo, agrupamento que se distingue pelo traço bem adequado das suas vestimentas, a elegância e harmonias das danças e cantares, e a graciosidade de muitos dos seus figurinos.
Rancho que se demarca pelo seu nível de qualidade, à vontade e treino.
Concerteza que tal trabalho tem a ver com o brio e toque de requinte e personalidade destas populações Arcozelenses. Na prática é o  sinal de vitalidade e característica de um povo que se mantém firme e possui qualidades no trabalho com nível, bom gosto e espírito de associativismo
.
 
O ser humano desde que é homem civilizado e se organiza vive em sociedade.
Sociedade é o elo de interligação e comunicação entre os homens, de modo que as diferentes sensibilidades entre todos, propicie uma harmonia e bem estar entre eles:
é este um dos princípios básicos do sentido civilizacional e de sociedade.
Existem as grandes sociedades civilizacionais, que são os estados ou países, e no plano interno destes, a sua dinâmica e vitalidade avalia-se pelo nível e estabilidade das pequenas sociedades específicas ou grupos.
São estes que caracterizam as várias sensibilidades populacionais, as organizam, e as estruturam com regras e valores que as solidificam estabilizam, ensinando a qualidade de vida e regras de bem estar, de forma a que vivam harmoniosamente no seu habitat e sempre ligadas a este, tentando sempre preservar a sua cultura e transmiti-la fielmente aos seus vindouros.

Nas comunidades, existe a sociedade mais elementar, a família, depois sociedades organizadas e de suporte para a população, como as misericórdias ou a rede da saúde do estado, sociedades ou grupos direccionados aos indivíduos mais carentes que é o caso das diferentes instituições de solidadidade, umas para as famílias de risco, outras para os pobres ou mesmo de apoio psicológico a pessoas com graves problemas, etc, etc.
E existem os grupos ou sociedades de índole recreativa mais pequenos, mas vitais e incentivadores da organização das populações com  associações de índole cultural nas suas várias vertentes, ou estruturas e grupos de desporto,  que na verdade, imprimem a todos, bem estar físico e mental, demarcando uma interligação saudável de relacionamento entre todos.
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Assim numa localidade ou concelho do interior, por mais pequeno que seja, toda a sociedade pode estar interligada através das "pequenas sociedades ou grupos". Uns no grupo coral e folclórico, outros no grupo coral e de natação, mais outros na banda musical e grupo de volei, enfim, uma sociedade dinâmica, onde cada elemento está empenhado e orgulhoso na sua tarefa comunitária de lazer.
 
Parabéns à comunidade do Arcozelo, que consegue criar toda uma dinâmica, que os identifica, os sensibiliza e enaltece, chamando para a sua comunidade outros, alguns artistas de talento que integram o agrupamento "Rancho Folclórico do Arcozelo da Torre", com o acordeonista apresentado no filme, Sr. José Soeiro de Guedeiros.
Creio que assim o Arcozelo, contrariando muitas outras pequenas aldeias do País, vai certamente sobreviver ao grande flagelo do momento: a desertificação humana da sua comunidade.
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Folclore da Ilha Terceira – Fontes da Nossa Ilha – Grupo de Folclore
No âmbito das várias intervenções no palco, sem dúvida que se salientou o grupo de Folclore "Fontes da Nossa Ilha" cuja entoação característica das guitarras de 15 cordas, logo o identifica como sendo das ilhas Açoreanas, mais propriamente da Terceira.
A ênfase nostálgica e sentimental dos cantares, a expressão mímica de humildade e bondade dos intervenientes, transmitiram a todos os espectadores, um sentimentalismo e emoção  ao longo de todo o espectáculo.
A dialéctica açoreana, a característica peculiar dos trajes e cantares emocionaram todo o público, até mesmo os mais desatentos que fixaram o olhar a todo o cenário encantor disfrutado.
De salientar a animosidade do grupo, contagiante para todos os espectadores, que desprevenidamente os envolveu na sua actuação, terminando com a participação de toda a comunidade  numa emocionante representação na plateia.
Em termos históricos é um folclore com as características primitivas do continente, várias influências deste, mas com uma riqueza regional dos trajes, melodias e modas encantadora para todos

 

Festival de Folclore no Arcozelo da Torre - fim da primeira parte - CONTINUA no post seguinte



publicado por valores-do-douro-sul às 20:29 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 16.01.09

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Vale bem a pena ser-mos conhecedores da sociedade açoreana.
A insularidade, o grande distanciamento do continente, as características vulcânicas com as sucessivas catástrofes provocadas pelos abalos de terra e a fúria constante do Atlântico, criou nestes uma solidariedade, um associativismo e uma cultura impar com  forte componente e influência cristã, que os distingue da população do continente, pela profunda solidez da sua sociedade, bem coesa e as instituições recreativas, culturais e de solidariedade a funcionarem em pleno.
O povo sendo insular, é muito culto, de fácil relacionamento e empatia imediata. É humilde, conservador  e hospitaleiro.
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De certo que nós cá pelo continente, com tantas influências externas e tantas vezes descontextualizadas da nossa cultura, correndo o risco de perda de muitas das nossas identidades, muito temos a aprender com este povo que persiste com a sua filosofia matriz e é exigente e orgulhoso da manutenção fidedigna da sua identidade.
 

 

 
Os primeiros contactos que tive com a sociedade Açoreana foi há sensivelmente 15 anos na ilha do Faial, mais propriamente na cidade da Horta, aquando dum "Congresso Nacional de Médicos de Clínica Geral" cuja realização se situou na "Sociedade Amor da Pátria", edifício conjecturado para os mais diversos eventos culturais da comunidade, e sede também de diversas actividades de lazer e ocupação de tempos livres de muitos.
Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Dr. Mota Amaral, na altura Presidente do Governo Regional dos Açores, na cerimónia de encerramento do evento médico a que foi convidado. Ficou-me memorizada a sua simpatia, respeito e humildade como figura política. Manifestei um elogio pelo brio e alto nível com que meus colegas, a exercer clínica nos Açores, apresentaram os temas clínicos no congresso. E mais, fiquei impressionado com o nível de organização e trabalho no sistema de saúde público dos Açores.
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A sociedade açoreana com traços e referências dominantes da cultura do continente português, assimilados logo após a sua descoberta e povoação, criou ao longo das centenas de anos de existência, e também como consequência do isolamento e distanciamento causado pelo Atlântico,   uma postura, dialéctica e identidade muito característica, que em termos de funcionalidade de sociedade, evoluiu e se diferenciou muito das novas características e posturas no continente.
A realidade conclusiva em termos sociológicos de bem estar, aponta que o bem estar biopsicosocial de toda a população duma determinada região depende não só da estabilidade do emprego e razoabilidade do seu poder económico,  do sustento em bases sociais, quer seja no ensino, saúde ou segurança social, mas também na afirmação, integração e funcionalidade noutras infra-estruturas essencialmente de execução e traço humano, com características de animação-recreativo-culturais:  ranchos folclóricos, conjuntos típicos, grupos corais e de cantares, grupos desportivos e de ocupação de ocupação de lazeres, sessões de educação sobre temáticas, como a saúde, o ambiente, os valores, etc, etc.
 
É interessante num encontro de grupos internacionais de folclore, a diferenciação bem distinta das características dos vários agrupamentos, cujo contexto global individual, bem caracteriza a região e país de proveniência.
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Conforme caracterizamos na nossa mente a Região Basca de Espanha, a um território de instabilidade política e guerrilhas, também pela apresentação do grupo folclórico Danças à Milots oriundo da assinalada região, sedimentamos na mente a mesma trajectória filosófica com que caracterizamos o perfil socio-político desse espaço penisular.
O aparato das bandeiras, as espadas, o perfil da música e dança, as vestimentas, parecem traçar um certo ambiente de influência e perfil militar.
Não fosse a última parte da apresentação com trajes de inspiração medieval, ficava-me a opinião que o grupo Basco era adjectivado com uma concepção essencialmente militar.
Uma apresentação bastante contrastante com os grupos de Portugal, em que a subjectividade, a mímica facial e o poder contagiante da alma humana prevaleceu nos nossos ranchos.
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Itália, país do grande Império Romano, que colonizou parte da Europa, e que Era Medieval persistiu com vincadas influências culturais, deixando profundas marcas da sua cultura em todas as vertentes, seja na língua, arquitectura, artes, sociedade e governação.
O grupo oriundo da Sardenha – Itália fez uma bela apresentação, um folclore de traços também muito diferentes do nosso, todavia com trajes e danças muito medievais, mas com uma sintonia e agradabilidade interessante.
A perfeição dos trajes a adornar as lindas Damas, lembra e retrata com muita fidelidade o perfil dos rostos pintadas e abrilhantados por Leonardo Da Vinci nos seus exemplares quadros.
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É sempre bem vindo um grupo folclórico representativo duma das regiões mais longínquas de Portugal, e mais, dum País que até há poucas décadas pertencia ao Portugal Ultramarino - TIMOR
A apresentação emana alma e vitalidade do grupo, a música é agradável, se bem com traços bem indígenas e nativos. 

 

 


publicado por valores-do-douro-sul às 21:32 | link do post | comentar

Domingo, 07.09.08

 

Folclore, um dos melhores processos de expressão do dia a dia do povo através da vivacidade dos ritos e costumes do trabalho, tradições e festas populares, corresponde à riqueza cultural duma população.

O conhecimento transmitido por modelos adquiridos localmente e pela dialéctica, preservado pela memória da população através das várias gerações é animado através da encenação, danças e canções representadas por conjuntos populares na sua forma de Ranchos Folclóricos e  Agrupamentos Etnográficos,

 

 

Folclore, uma vertente importante da nossa cultura, que de modo algum se pode abandonar.
A sua importância é tanta que deveria ser parte integrante dos currículos escolares, para que jovens e educadores ficassem com uma real percepção do Folclore Português e da sua região, viajando ao mesmo tempo pelas suas raízes, valorizando a sua cultura local e valor intelectual, incutindo nestes o espírito de associativismo e equipe.
 
É na verdade preocupante a apatia dos jovens ao folclore.
A questão cultural de “vertente folclore” é praticamente nula, sobretudo no meio citadino, e a receptividade à dança folclórica é vã.
Por tal, não participam nem apreciam esta verdadeira cultura.
 
 
Na realidade existe um considerável desconhecimento dos jovens face à dança folclórica tradicional, que lamentavelmente referem pouco apreciar, além de praticamente nunca terem assistido a este tipo de espectáculos.  
 

 

É esta a imagem caricata e ridícula que subsiste do Folclore nestas mentes, devido sobretudo à não implementação na cultura educacional dos jovens destes valores na escola.

A causa, é uma insensibilidade dos educandos, deixando os jovens assim proliferar em valores descaracterizados e não alicerçados na nossa estrutura, como o caso das músicas abstractas de discoteca e importadas do estrangeiro, de outros meios culturais .   

 

 

 

Voltando à discussão do folclore, pilar mestre e vertente da nossa cultura e alma do povo ao expressar-se pela música.
 
A dança e a música em sintonia com o colorido dos trajes dissociam-se com alegria no folclore beirão.
Base e embrião da nossa expressão cultural, o folclore é um espectáculo de características únicas, apreciado por todos aqueles que sabem o que é cultura, tradição, saber e arte.
 
O “maneio”, a “xula” o “pavão”, “seguimos amor seguimos” etc , são danças vivas que identificam o grupo folclórico do interior beirão «Quando os lobos uivam» apresentado no post.

Assim, neste dia 15-06-2008 sob um céu enevoado e prometendo chuva, ouve-se o bater do pandereto, o reco-reco, a viola, o tambor e o acordeão soltando as notas harmoniosas, e os pares a girar, girar, até à altura de se verem as pernas das dançarinas que seguram as coroas de saias e saiotes a levantarem voo.

 

 

 

Nas apresentações dos diversos Ranchos Folclóricos que conheço,  já não são os agricultores, as tecedeiras ou profissões rurais que actuam, mas os grupos folclóricos que, orgulhosos das tradições culturais, se apresentam ao longo de todo o ano nas várias festividades tradicionais.

 

Nos Festival de Folclore que apreciei recentemente em Soutosa e Arcozelo da Torre, foi uma ocasião privilegiada para conhecer melhor estes valores herdados e contactar com as figuras mais notórias da cultura e da paisagem humana beirã.



publicado por valores-do-douro-sul às 18:24 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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