Domingo, 19.10.08

 

Quem observa a apresentação destes grupos evidencia nos seus rostos  o gosto de cantar  e a vontade de dar voz a estes agrupamentos de jovens, adultos e instrumentos musicais. 

    

 

Estes cantares que, durante séculos, animaram trabalhos, serões e cerimónias, podem sem dúvida ser recantados e apresentados como uma situação poético-musical que traz em si a marca de uma realidade musical e artística e regional.

 

Não se cantando actualmente nos trabalhos agrícolas,será de assinalar em dar continuidade e motivação a estes valores, que além do lazer e propiciarem bons espectáculos, registam e divulgam o que aínda perdura nas memórias dos mais idosos.

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Evidentemente que é antes de mais um bom acto de apropriação com a finalidade de preservar o passado e a alma da música típica portuguesa, ou seja a semente de trabalho e de todos estes grupos.

 

 

Na aldeia de Barcos, a vivência da música na sua festa em 17-08 foi francamente contagiante e exuberante, e o modo da expressividade do grupo coral foi muito autentico na espontaneidade emocional.  

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O grupo canta com a voz, e toda a gestualização do seu corpo, ocupando os instrumentos usados (principalmente a viola o tambor e o acordeon) um plano secundário.      

 

 

O renascer de Grupos de Cantares têm muito a ver com a constatação que uma grande diversidade de verdadeiros intérpretes para esta música vocal tem vindo a diminuir drasticamente.

Além do repertório específico, como o Hino da aldeia e canções típicas da localidade há também uma aproximação  a modelos de referência nacionais. 
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Muito para além da tradição dos costumes e dialéctica que uma aldeia possui, a música popular e folclórica, corresponde a um dos principais símbolos da sua  identidade e referência artística. A música é a forma superior da expressão cultural e religiosa dum povo, do seu sentir e da sua maneira de estar na vida, da sua relação com este e, essencialmente com a sua cultura religiosa.


publicado por valores-do-douro-sul às 16:04 | link do post | comentar

Terça-feira, 30.09.08

Durante todo o ano Barcos anseia pela chegada do mês de Agosto.

Sente-se.

Ao longo de todo este tempo há como que o acumular de uma energia potencial que é desejada e que renova o ânimo das gentes desta antiga Vila.

Barcos, que afinal pertence ao Douro, o Douro património da humanidade, do reconhecido vinho do Porto, Barcos com o seu rico património medieval e as imponentes habitações da época moderna entra em animada festa!

 

Antecipam-se dias de férias, condiciona-se o tráfego ao centro do agradável conjunto urbanístico em redor da Igreja Matriz, montam-se vigas para o palco em frente à antiga sede da colegiada.

Ao redor do Santuário de Santa Maria do Sabroso monta-se um gigantesco palco com poderosos altifalantes para acolher o conjunto musical e a imensidão de jovens que virão disfrutar os bailaricos nos dias festivos.

A comissão de festas monta a sua barraquinhas para dar assistência de comes e bebes na festa.

No largo da Igreja Matriz já na aldeia, classificada de monumento nacional montam-se as hastes das bandeiras (Nacional, do Concelho, e de Barcos) que irão ser içadas na manhã de 15 de Agosto pelo Sr. Presidente da Câmara de Tabuaço, Srª Vereadora da cultura e Sr. Presidente da Junta de Freguesia da aldeia, assinalando então o início das festas.

 

As ruas, recheadas de diversas edificações medievais, grandiosas habitações e todo o casario mais humilde muito colorido e alindado, interligado-se com a calçada muito bem concebida, vivem e comungam da azáfama e grande burburinho de preparativos para os grandes festejos.

Faz sentido todo este aparato: é consagrada homenagem a Nossa Senhora do Sabroso, santa Padroeira de Barcos juntamente com a festa de Santa Bárbara no lugar do Sabroso e onde se revive em simultâneo muito intensamente as tradições e costumes da aldeia, especialmente no dia de Santa Bárbara a nomeação da Priora da festa

Os dias 15, 16 e 17 de Agosto neste ano, são os de maior fulgor e significado destas festividades.

E chega-nos a sexta-feira dia 15. A manhã acordada pela banda de música que passa pelas principais ruas da aldeia com os sons do tambor, do saxofone, flautas e os demais instrumentos caminhando a uma vertiginosa velocidade que ajusta os batimentos do nosso coração fazendo ressoar em crescendo, por todo o corpo, como acontece naqueles espaços onde o vazio ocupa um lugar largo.

E começam a aglutinar-se pessoas, com os seus melhores trajes, senhoras elegantes cujos saltos desafiam os espaços da calçada, famílias inteiras, simpatizantes, amigos, turistas...

Vai-se dar o início da cerimónia do içar das bandeiras ao som do Hino Nacional tocado pela Banda Filarmónica.

Depois a procissão de 3 Km em direcção à Nossa Senhora do Sabroso, pela estrada, tendo como panorama à distância o vale do Douro e os lençóis de vinhas cobrindo montes inteiros e tão bem tratadas que mais parecem jardins tratados.

O povo de Barcos caminha lentamente, de abraços com o coração da sua cultura, com o símbolo na comunidade visível, esta mesma que mantém a tradição e a celebra numa matiz onde o sagrado e o profano se cruzam, onde as gentes da terra caminham em procissão atrás da corte celeste qual paráfrase da vida.  

E assim se cumpriu a procissão da manhã. Seguiu-se missa campal.

Às dezasseis horas as pessoas obedecem ao clamar dos foguetes e arma-se então a procissão a caminho da aldeia e Igreja Matriz.

A procissão chega à aldeia.


Assomam-se nalgumas varandas, bonitas colchas algumas bordadas talvez por mãos antigas. Numa janela, uma velhinha lança pétalas de rosa aos figurinos da procissão. Aglomera-se gente à beira da estrada e em lugares à sombra, cadeirinhas desdobráveis dos prevenidos a quem o tempo pesa mais nas pernas.

Ao passar a procissão, misturam-se o cheiro das flores frescas dum andor com o do perfume fino das belas meninas que fazem parte da comitiva e cerimonial; as belas músicas da banda que se ouvem pelo desfile; o murmurar das rezas de alguns peregrinos e o rebentar esporádico dos foguetes.


Caminham lado a lado representantes de diferentes opiniões, seguram os andores rapazes e lindas raparigas. O polícia também lá vai, a controlar o trânsito; está lá a senhora vereadora da cultura de Tabuaço, o antigo calceteiro da Câmara o responsável máximo da DOUROMEL e o do Banco da Vila; o turista curioso, o cigano a vender pipocas e algodão de açúcar. Todos. Tantos.

A comunidade que se une e reúne e que caminha palpitante bombeada pelas ruas como o sangue que circula pelas veias a partir do coração através de um trajecto que de novo a ele retoma.

Também nós, amigos e simpatizantes, partimos do coração desta comunidade, seguimos também as passadas destas imagens bíblicas da procissão que representam virtudes e valiosos ensinamentos, com a Igreja, símbolo de um povo reunido pela fé.  



publicado por valores-do-douro-sul às 20:39 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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