Domingo, 16.12.12

Nos trajectos que apresento do Douro vinhateiro, e estes mais a montante, no território de Vila Nova de Foscôa observamos o Douro irreversivelmente domesticado da sua fúria pelas barragens de Bagaúste e da Valeira; agora está pacato e conformado às passagens de barcos turísticos, a moda actual.

 

Douro, que ao longo dos séculos massacrou o homem entre as vegetações e penedias.

Tantas vezes cansados, persistentemente desafiavam a natureza arisca com constantes precipícios próprios do habitat local.

Assim vindimaram em terrenos esquivos uvas e mais uvas do delicioso nectar da região, o vinho generoso do Douro.

O resplandecente resultado da transformação da natureza selvagem pode-se hoje observar, em ambiente edénico, no fértil vale do Vesúvio, onde podemos encontrar a espetacular Quinta do Vesúvio, que apresento no filme, a erguer-se solitariamentena na imensidão da paisagem envolvente.

A quinta, situada na margem esquerda do Douro é atravessada pela linha do Douro, e possui apeadeiro. Pelas suas maravilhosas vistas e paisagens, o seu cenário expontâneo é muitas vezes utilizado para descrever a verdadeira beleza do Douro.

 

Neste dia 15 de Dezembro em que efectuei as filmagens, lá do do cimo do vale, as nuvens tocam na popa dos cumes, e o explendor da paisagem é digno de se apreciar, visualizado-se do outro lado do rio, a Senhora da Ribeira, já no concelho de Carrazeda de Anciães.

 

O vinho doce generoso é a iguaria que sai desta floresta de videiras, que preenche a alminha de muitos.

Porém, a tentação aos doces é um dos fracos desta população douriense; são produtos tradicionais as "régulas", as "penaguiotas" e as "natas".

Ex libris, as "ferreirinhas", recheadas de chila, chocolate, amêndoa, passas e vinho do Douro. O nome, homenageia D. Antónia Ferreirinha, mulher conhecida por todo o Douro vinhateiro, exemplo de audácia, e mãe de muitos filhos.

Asim o seu nome memoriza o exemplo da mulher do Douro, dócil, de muito trabalho e cujo fado era ter muitos filhos, trabalhar intensivamente durante o dia, fazer a sopa da noite e aguentar a veneta do marido.

 

Douro, Douro, Douro, quem o viu e quem o vê:

- rio de correntes, de torturas e dasalentos, onde os homens se elevaram a herois, hoje rio pacato e indolente.

- outrora boa boga e bom bargo, hoje peixe esboroado.

Estas as palavras daqueles barqueiros que ainda hoje vivem, domadores de barcos rabelos que transportaram pipas e mais pipas de vinho para o Porto e Gaia.

Mas orgulhosamente dizem:  vida cruel que foi a nossa, mas... se me tirassem o meu Douro... preferiamos morrer...



publicado por valores-do-douro-sul às 20:23 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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