Sábado, 13.09.08

As festas anuais das aldeias ostentam quase sempre nos cartazes a imagem do padroeiro da terra.

Desempenha uma função antropológica muito positiva.

Corresponde a um tempo agradável e relaxante. Permite que cada um se sinta livre do stress quotidiano, tenha a boa disposição, possua tempo para os amigos, família e comunidade e podendo saborear o encanto da aldeia e seus conterrâneos.

A festa evoca boa alimentação, convívio de amigos, roupas novas e divertimentos. 
A festa anual da aldeia desempenha uma função importante no robustecimento da identidade e da vida comunitária da população. Merece, por isso, o interesse e a participação de toda a comunidade da aldeia. É o momento em que as pessoas da terra se encontram com as suas raízes, evocam as suas memórias comuns, convivem de forma simples e alegre, abrem as portas e procuram apresentar aos de fora a sua melhor imagem. Nesta época de individualismo e de estranheza mútua, temos o dever de apreciar e salvar as festas dos padroeiros como uma oportunidade de enriquecimento pessoal, social e católico.

Estas festas têm características peculiares. Neste caso, e em Riodades, S. João da Pesqueira é participadas por todos: a festa é de todos, feita por todos, vivida por todos. Mesmo quando se convidam os de fora, é para vir à "sua festa".

Revestem, por outro lado, uma dimensão solene, sagrada que leva a contemplar a dimensão transcendente da vida. Uma festa do padroeiro que não tenha uma missa festiva e uma procissão pelas ruas da aldeia, esquece a postura religiosa da festa e perde, consequentemente e seu valor e consistência. 

A nossa população dá relevo aos vários ritos religiosos, participando na missa e na procissão como o acto central de todos os elementos do programa festivo. Enfeitando as ruas e as casas para o momento é uma forma de mostrar o apreço por tais actos religiosos.

Em Riodades a festa identifica o seu povo na sua própria maneira de ser, e o espectáculo aliena todos. São homens de criatividade e imaginação e salvaguardam o verdadeiro significado da sua festa. 



publicado por valores-do-douro-sul às 13:40 | link do post | comentar

Quinta-feira, 11.09.08

A religiosidade popular é um fenómeno que tem acompanhado a vitalidade da Igreja Católica.
Representa uma diversidade de representações, gestos e atitudes, que transmitem uma relação directa com Deus: beija-se a cruz, percorre-se a Via Sacra, participa-se numa peregrinação, ajoelha-se frente a uma capela de um mártir, sobe-se com os andores ao cimo do monte onde se encontra um santo padroeiro. 

É esta religiosidade que, sob uma aparente unidade enraizada no nosso catolicismo, manifesta mais fielmente a pluralidade da nossa sociedade beirã do interior.

Por cá, as crenças populares incluem, ainda hoje, um conjunto de superstições e gestos mágicos oriundos do paganismo celta. 
 
É num contexto de assimilação das crenças e antigos ritos pagãos, que se perpetuaram ao longo dos séculos na tradição oral, que se deve buscar a origem da maior parte dos ritos e crenças que definem a nossa religiosidade popular.
Fica assim claro que muitas festividades pagãs foram cristianizadas, fazendo-as coincidir com as celebrações praticadas em épocas remotas.
As nossas festas populares, manifestações colectivas, as crenças e ritos de devoção particular são as grandes marcas da religiosidade popular cá no nosso interior.

A atenção especial aos sinais da natureza como a água, a terra, a luz, o céu fascinou desde sempre as pessoas.
A religiosidade popular, cósmica e natural, pode servir, no caso da Igreja Católica, para compreender melhor a utilização de sinais e gestos simbólicos que expressam uma componente profundamente humana e religiosa.
Por isso, tem sido sempre chamada a atenção para uma verdadeira integração entre as cerimónias da Igreja e a piedade popular, com as procissões, ladainhas e outros ritos, assumidos em forma de culto.

 



publicado por valores-do-douro-sul às 19:12 | link do post | comentar

Quarta-feira, 27.08.08

Considero a Banda Filarmónica de Riodades  um verdadeiro cartão de visita da aldeia, e que, com o evidente património de músicos jovens a actuar, constitui o orgulho da localidade, realçando evidentes  sinais de vitalidade sã:


Observei muito atentamente na tarde de 08-08-08 num dos dias festivos de Riodades, os vários pormenores do concerto que, partindo por diversas vezes de canções do cancioneiro popular,  comportava-se sempre numa perfeita sintonia, harmonia e elegância
O seu quadro de músicos, fundamentalmente jovens é realmente uma autêntica banda predominantemente júnior, sendo de notar, que assim sendo se vão preparando e motivando estes jovens músicos a adquirir  hábitos musicais relacionados com a música de filarmónica geridos sob uma direcção, o maestro, tocando em sintonia com os diversos instrumentos dos vários músicos, desenvolvendo assim aptidões para a musicalidade, a afinação e interpretação dos vários pormenores técnicos.
 


Assim sendo conclui-se, que uma banda destas, além do seu valor no entretenimento da população, funciona certamente como um excelente incentivo aos jovens na cultura musical, ocupação e trabalho de equipe, realizando-se assim estes, com as várias demonstrações musicais regulares em todo o meio envolvente à banda filarmónica, e incentivando certamente muitos outros colegas a iniciarem a aprendizagem musical. 


Assim sendo, estas Instituições provam, o quanto é importante o desempenho que as nossas Sociedades devem assumir no apoio e dignificação destas, com a promoção frequente de acontecimentos culturais com o objectivo de as valorizar cada vez mais.
Será agir para as varias comunidades nas diferentes aldeias dignificarem a sua terra demarcando a sua contemporaneidade

 

 



publicado por valores-do-douro-sul às 23:28 | link do post | comentar

António José Leitão Canotilho

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